Festa da Conceição da Praia atrai turistas e baianos


Devotos de diversos locais vão se concentrar nas ruas do Comércio neste sábado (8) para homenagear a Imaculada Conceição da Mãe de Deus, padroeira da Bahia, que no Candomblé é representada por Oxum, rainha das águas doces. Os festejos integram o calendário oficial de eventos do verão de Salvador, apresentado em São Paulo pelo prefeito ACM Neto, e que contará com cerca de 70 dias de atrações entre atividades privadas, ensaios, Réveillon, festivais, lavagens, festas populares, shows e o Carnaval.

O preparatório para a festa de Nossa Senhora da Conceição da Praia, como é popularmente conhecida, teve início no último dia 29 e segue até o dia 7 de dezembro com o novenário em honra à mãe de Jesus, realizado sempre às 19h. No sábado (8), dia do evento, são celebradas missas na Basílica Santuário Nossa Senhora da Conceição da Praia às 5h, 6h, 7h, 12h, 14h, 15h e 16h; mas o ponto alto da festa será a missa solene, presidida pelo Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger, às 8h30.

A missa solene é o ponto de partida para a procissão pelas principais ruas do Comércio, momento em que são conduzidas as imagens de Nossa Senhora da Conceição da Praia, Deus Menino, Santa Bárbara, Senhor do Bonfim e São José, retornando à Basílica para a bênção com o Santíssimo Sacramento. Este ano, a festa religiosa tem como tema: “Com a Virgem Maria proclamamos: ‘Santo é o Seu nome’. Sede santos também vós”.

Tradição – A festa em louvor à Nossa Senhora da Conceição da Praia é a mais antiga festa religiosa do Brasil, comemorada desde 1550. A primeira capela do Comércio foi erguida em taipa a pedido de Tomé de Souza que, segundo relatos, teria ajudado na construção. A igreja atual começou a ser construída em 1739. A celebração também ocorre nos bairros de Itapuã e Valéria, que contam, cada um, com uma Paróquia Nossa Senhora da Conceição.


Começa o ciclo de festas de largo


Santa Luzia. Foto Oquefazernabahia

Santa Bárbara abre o ciclo festas de largo, em Salvador, no dia 4 de dezembro, uma das festas mais lindas e de muita devoção em  que as pessoas se vestem de vermelho, deixando um colorido belíssimo no Centro Histórico. Nesta festa há uma mistura de  devoções Católica e do Candomblé em que a santa é a orixá Iansã no sincretismo religioso, por isto as cores vermelho e branco para homenageá-la e a saudação é Eparrei! Segue no dia 8, festa em homenagem à Nossa Senhora Conceição da Praia, dia 13, Festa de Santa Luzia, Protetora da Visão; Festa da Boa Viagem no dia 31 de dezembro; Festa do Bonfim ou Lavagem do Bonfim, dia 17  de janeiro e de Iemanjá, no dia 2 de fevereiro. (Por Noemi Flores)

Santa Bárbara, para os católicos, é protetora da humanidade em tempo de tempestade e, no culto do candomblé é Iansã, a orixá dos fogos, raios e trovões, saudada com “eparrei”! É neste dia que há vasta programação no Centro Histórico e tudo é festa, com os devotos vestidos de vermelho e branco, formando um colorido especial nas centenárias ruas da capital baiana. Leia tudo sobre esta festa deste ano: Programação completa

Conceição da Praia – Quatro dias despois já tem a Festa de Nossa Senhora da Conceição da Praia, dia 8, uma das festas de largo mais famosas do calendário turístico por se tratar da Padroeira da Bahia. Neste evento, dias antes, as barracas de comidas, frutas e bebidas típicas já começam a ser instaladas em frente ao Elevador Lacerda e ao redor do Mercado Modelo, onde é instalado um palco para atrações de peso.

Santa Luzia – Ainda em dezembro, no dia 13, tem a devoção à Santa Luzia, protetora da visão, na Igreja Nossa Senhora do Pilar, também localizada no Comércio, com missa e procissão pelas ruas do bairro até a Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia. Esta festa é de muita devoção porque baianos e turistas se mesclam para pedir ou agradecer à santa saúde para os olhos e forma-se uma fila de pessoas com garrafas de plásticos para colher água de uma fonte, localizada na igreja, cujos fiéis afirmam ser milagrosa para doenças ligadas à visão.

Festa da Boa Viagem. Foto Saltur

Boa Viagem e do Bom jesus dos Navegantes – No dia 31 de dezembro, já começam os festejos para Nosso Senhor dos Navegantes, na Igreja Nossa Senhora da Boa Viagem, em Itapagipe. A imagem do santo na Galeota Gratidão do Povo segue para a Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia e retorna no dia 1º em uma procissão marítima, com o mar colorido pelo fiéis e embarcações.

É um verdadeiro espetáculo no mar e momento de muita fé no Senhor Bom Jesus dos Navegantes, no primeiro dia do ano. E quando chega na Praia da Boa Viagem, centenas de fiéis acompanham a chegada da imagem do santo recepcionado pela imagem de Nossa Senhora da Boa Viagem e seguem em procissão até a igreja.

Já no lado profano, baianos e turistas unem o útil ao agradável, assistem à chegada da Galeota e das embarcações que a acompanham, enquanto se divertem na praia ou nas várias barracas espalhadas pelo bairro, regadas a comidas, frutas e bebidas típicas ao som de boa música.

Senhor do Bonfim ou Lavagem do Bonfim – A frase dos antigos diz: “Quem tem fé vai a pé”. É isto mesmo! A devoção ao Senhor do Bonfim (Oxalá, no sincretismo religioso) acontece na segunda quinta-feira de janeiro (17/01/2019). Baianos e turistas adotam o branco e azul celeste, a cor do orixá, e seguem em procissão a pé, da Conceição da Praia, no Comércio, à Colina Sagrada, Itapagipe, onde se localiza a Basílica do Senhor do Bonfim, percorrendo 8 km.

Quando a procissão chega à Colina Sagrada, baianas trajadas a caráter lavam com flores, folhas e água de cheiro as escadarias da Igreja, por isto se usa também o termo “Lavagem do Bonfim”. O costume é da época dos escravos, quando estes lavavam as escadarias das igrejas para as festas.

Festa de Iemanjá –  Dois de Fevereiro, dia dedicado a orixá Rainha do Mar, Protetora dos Pescadores cuja as cores são azul cor do mar com branco e a saudação é Odoyá, que significa Mãe das Águas! É uma festa estritamente do sincretismo religioso e há uma magia tão grande que leva todos ao Rio Vermelho para prestar homenagens a Iemanjá, unindo momentos de devoção e de diversão na festa profana!

Considerada um orixá feminino cheio de vaidade, geralmente as oferendas  se restringem a flores, perfumes e bijuterias que são colocadas em vários balaios, durante o dia todo, na casa construída pelos Pescadores daColônia de Pesca do Rio Vermelho, para serem lançados em alto mar. São estes pescadores que a homenageiam com esta festa! Porém advertem para que os devotos atentem para a ecologia e ofertem presentes que levem em conta a preservação da natureza marítima

 


Tradição secular no Pelourinho: Festa de Santa Bárbara


 

Foto Elói Corrêa (Secom/BA)

A Bahia celebra na próxima terça-feira, 4 de dezembro, a Padroeira dos Bombeiros e dos Mercados, aquela que protege os seus fiéis em meio às grandes tempestades: Santa Bárbara. A festa, que é Patrimônio Imaterial da Bahia por simbolizar a cultura e costumes do povo que manteve viva essa tradição secular, é comemorada no Centro Histórico de Salvador, em momento de grande devoção. Todos os anos, mais de 10 mil fiéis se reúnem no Largo do Pelourinho, criando um cenário onde o vermelho impera.

Com realização da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, em parceria com o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac) e a Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), a edição de 2018 vem manter o legado e força da Festa de Santa Bárbara. Além da celebração religiosa, também estão confirmadas as atrações de samba no segundo momento da programação, já características da ocasião. A data abre o calendário de festas populares no estado.

Programação – O tradicional Caruru do Mercado de Santa Bárbara, promovido por comerciantes com o apoio da SecultBA, neste ano volta a anteceder os festejos e será distribuído no domingo (2). A programação terá início às 17h, com Missa em Ação de Graças que será celebrada pela Igreja de Santa Bárbara da Liberdade.

No dia 4, com início previsto às 8h, a Missa Campal é o principal momento da Festa de Santa Bárbara, reunindo milhares de fiéis que trazem pedidos, agradecimentos e presentes como flores, imagens e acarajés, ressaltando que a celebração católica traz em si a marca do dendê. O sincretismo religioso é uma das principais características da devoção à Santa, por isso, muitos homenageiam a Iansã.

Em comum, os seus seguidores trazem o espírito aguerrido para lutar contra as adversidades, buscando inspiração na fé. Na data solene, a cerimônia conduzida pela irmandade envolve a todos com cânticos e orações muito bem conhecidas pelos devotos. A participação dos clarins nas janelas do Centro de Culturas Populares e Identitárias é uma saudação a Santa Bárbara e aos fiéis presentes.

Ao final da missa, o cortejo segue em procissão. Na ladeira do Quartel do Comando Geral do Corpo de Bombeiros da Bahia, que também realiza uma celebração religiosa nas suas dependências às 8h30, o andor é entregue aos bombeiros, que, após recebê-lo pelos membros da irmandade promovem o encontro dela com a imagem do Quartel, para posteriormente continuar a procissão. Após a saída do cortejo é iniciada a distribuição do tradicional caruru (1000 kits) para a população presente no evento, bem como é realizada uma comemoração no Quartel da Barroquinha com estimativa de 300 convidados.

Foto Elói Corrêa (Secom/BA)

A Festa de Santa Bárbara é fortemente ligada à história do povo negro, que também tem como forma de homenageá-la a música, a alegria e a dança. Assim, a música afro-brasileira, especialmente o samba, se enraizou na celebração, sucedendo a realização da missa e do cortejo no Centro Histórico.

No Largo do Pelourinho, o cantor, carnavalesco e devoto Jorginho Commancheiro retorna à Festa de Santa Bárbara, abrindo a programação artística às 14h30. Em seguida, o grupo Samba Chula de São Brás vem representando o talento e espontaneidade do recôncavo baiano, subindo ao palco às 16h. Abrindo a noite, a banda Conexão Negra promete contagiar o público com a sua paixão pelo samba, fazendo todo mundo dançar a partir das 18h30. Encerrando a programação do palco principal, a cantora Claudya Costta traz um show especial, no qual estarão inclusos rodas de samba. O início do show será às 21h.

Acontecem eventos também nos largos do Pelourinho, como o Samba na Fé de Santa Bárbara, que movimenta o Largo Tereza Batista, das 14h às 21h, com as bandas 100% Samba e Chinelo de Couro. No Largo Quincas Berro D’água o Samba de Oyá reúne os grupos de samba dos blocos Fogueirão e Jaké, das 15h às 21h. Já o Largo Pedro Archanjo recebe as apresentações das bandas Samba Trator, Samba Simpatia e Pagode do Vinny, com início às 16h e término às 00h. Os shows são gratuitos.

Patrimônio – O culto a Santa Bárbara foi iniciado há quase 380 anos, e a festa é celebrada há mais de 200 anos. Por agregar valores culturais singulares, dar destaque às celebrações da fé católica e das religiões de matriz africana, a festa é registrada como Patrimônio Imaterial da Bahia em 2008, através do Decreto nº 11.353/08. Em dezembro de 2015, quando a celebração contava com mais de cinco anos de sua patrimonialização, técnicos do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC) iniciaram o estudo de reavaliação para a revalidação do Registro Especial da festa, conforme exigido por lei. A investigação, concluída em 2017, mostrou que a Festa de Santa Bárbara no Pelourinho permanece com as características que mantêm viva a tradição e devoção à Santa. São manifestações de fé, paz, alegria, união, tolerância. Elementos significativos que fazem deste um grande evento popular.

FESTA DE SANTA BÁRBARA – PROGRAMAÇÃO

MERCADO DE SANTA BÁRBARA

Caruru do Mercado de Santa Bárbara

Quando: 2 de dezembro, 17h

Gratuito

LARGO DO PELOURINHO

Missa Campal

Quando: 4 de dezembro de 2018, 8h

Jorginho Commancheiro

Quando: 4 de dezembro de 2018, 14h30

Samba Chula de São Brás

Quando: 4 de dezembro de 2018, 16h

Conexão Negra

Quando: 4 de dezembro de 2018, 18h30

Claudya Costta

Quando: 4 de dezembro de 2018, 21h

QUARTEL DO CORPO DE BOMBEIROS

Missa do Corpo de Bombeiros

Quando: 4 de dezembro de 2018, 8h30

Tradicional Caruru

Quando: 4 de dezembro de 2018, 12h

LARGO TEREZA BATISTA

Samba na Fé de Santa Bárbara

Atrações: 100% Samba e Chinelo de Couro

Quando: 4 de dezembro de 2018, 14h a 18h

LARGO QUINCAS BERRO D’ÁGUA

Samba de Oyá – Vou com Fé

Atrações: Samba Fogueirão e Samba Jaké

Quando: 4 de dezembro de 2018, 15h a 21h

LARGO PEDRO ARCHANJO

Samba Trator | Samba Simpatia | Pagode do Vinny

Quando: 4 de dezembro de 2018, 16h a 00h


10ª Lavagem da Estátua de Zumbi marca Dia da Consciência Negra


Divulgação

Mobilizar a população de Salvador e região metropolitana em um ato político e cultural em celebração ao Dia Nacional da Consciência Negra, fortalecer a luta contra o racismo, homenagear o líder Zumbi dos Palmares e o Mestre Môa do Katendê. Esses são os objetivos centrais da 10ª Lavagem da Estátua de Zumbi, que será promovida na Praça da Sé, em Salvador, a partir das 9 horas do dia 20 de novembro. A ação será realizada pela União de Negros pela Igualdade (Unegro), em parceria com diversas organizações dos movimentos sociais, com o apoio da Associação Classista de Educação e Esporte da Bahia (ACEB).

Além de resgatar a negritude e reafirmar a luta cotidiana pela superação do racismo, na perspectiva de construção de uma sociedade justa e igualitária, o evento este ano traz como tema “Rebele-se contra as opressões – Môa do Katendê vive!”. Para quem não sabe, Romualdo Rosário da Costa, conhecido como Moa do Katendê, que será homenageado in memorian durante a Lavagem, foi um compositor, percussionista, artesão, educador e um dos maiores mestres de capoeira de Angola da Bahia.

Defensor de um processo de “reafricanização” da juventude baiana e do carnaval, foi assassinado com doze facadas pelas costas após o primeiro turno das eleições gerais deste ano. Segundo testemunhas e a investigação policial, o ataque foi motivado por discussões políticas, após Romualdo declarar seu voto em Fernando Haddad (PT). A morte do compositor suscitou homenagens por artistas próximos como Caetano Veloso e Gilberto Gil, e também de artistas internacionais, como Roger Waters.

 

Divulgação

Bandeiras – A programação da 10ª Lavagem da Estátua de Zumbi inclui o “2º Festival de Saraus e Slams da Consciência Negra: pela vida da juventude, contra o genocídio”. De acordo com a presidenta da Unegro, Ângela Guimarães, o encontro vai “reafirmar bandeiras de lutas importantes, tais como o fim do extermínio da juventude negra, a superação do feminicídio das mulheres negras e os direitos à educação gratuita e de qualidade, à terra, ao trabalho e à renda”, resume. “Além de debater e despertar a sociedade para o enfrentamento do racismo e de suas múltiplas formas de expressão, precisamos enfrentar a onda conservadora presente na atual conjuntura do país.”, completa.

Socióloga, professora e atual chefe de gabinete da Secretaria de Trabalho, Emprego, Renda e Esporte do Estado da Bahia (Setre), Ângela destaca que o racismo, na atualidade, se expressa na banalização de milhares de mortes de jovens negros e negras todos os anos no nosso Estado e país. Segundo o Mapa da Violência (2016) e o Atlas da Violência (2017), o Brasil perde quase 60 mil pessoas por ano vítimas de homicídios, sendo que 53% são jovens entre 15 e 29 anos. Desses, cerca de 71% são negros. “Esses números, que superam os países em conflito civil no mundo, expõem a triste realidade a que está submetida a juventude negra brasileira e se configuram como um verdadeiro genocídio”, lamenta Ângela Guimarães.

O Dia Nacional da Consciência Negra é celebrado, no Brasil, em 20 de Novembro, data escolhida por ser o dia da morte de Zumbi dos Palmares, líder negro de grande importância na luta para o fim da escravidão no Brasil. Criado em 2003 e instituído em âmbito nacional mediante a lei nº 12.519, de 10 de Novembro de 2011, a celebração é dedicada à reflexão acerca da história de luta contra toda forma de opressão e discriminação.

Ângela Guimarães, presidente da Unegro. Divulgação

Unegro – A União de Negros pela Igualdade (UNEGRO), que completou 30 anos em julho deste ano, é uma entidade de expressão nacional da luta contra o racismo. Organizada em 25 estados da Federação e no Distrito Federal, a Unegro compõe o Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR), o Conselho Nacional de Saúde e o Conselho Nacional de Políticas de Juventude (CONJUVE). São princípios da entidade a luta contra o racismo em todas as suas formas de manifestação; o empenho na preservação e desenvolvimento da cultura negra; a defesa dos direitos culturais da população negra; a solidariedade e o apoio aos povos africanos e oprimidos de todo o mundo; o estímulo à participação política da população negra na definição dos destinos do país; a luta pelo exercício político da cidadania negra em todos os setores da vida social do país e a defesa de uma sociedade justa, fraterna, sem exploração de classe, de raça ou exploração baseada nas desigualdades entre os sexos.

Parcerias – São parceiros e estarão presentes no evento representantes das seguintes organizações: Associação de Moradores do Conjunto Santa Luzia, Escola Comunitária Luiza Mahin, Instituto de Mulheres Negras Luiza Mahin, Sociedade Protetora dos Desvalidos (SPD), Reprotai, União da Juventude Socialista (UJS), Movimento de Cultura Popular do Subúrbio (MCPS), Movimento C Cidadão, Equipe Amante da Dança (EAD), Grupo Recyta Samba (Ilha de Maré), Agente de Pastoral Negros (APNS), Movimento Negro Unificado (MNU), Escola Comunitária Nossa Senhora Medianeira, Grupo de Capoeira Zambelé, Grupo de Capoeira Olepe, Rede Quilombação, Levante da Juventude, Circo Palmarino, Movimento Sem Teto da Bahia (MSTB), Movimento das Trabalhadoras e Trabalhadorespor Direitos (MTD), Afoxé Filhos de Gandhy, Tambores de Búzios, Pastoral Afro, Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, seção Bahia (CTB- BA), União Nacional LGBT (UNA LGBT), Movimento em Defesa da Moradia e do Trabalho (MDMT), Mães pela Igualdade, Rede SAPATÁ e Movimento Sem Teto da Bahia – Democrático e Delutas (MSTB- DL) e CAAPA.

Lavagem da Estátua de Zumbi dos Palmares

Quando? 20 de Novembro de 2018 a partir das 9 horas

Onde? Praça da Sé, Salvador-BA.

Livre para todos os públicos.


Alvorada dos Ojás para paz, respeito e equilíbrio


Foto do site do CEN

A 12ª edição da Alvorada dos Ojás acontece 16 e 17 de novembro, às 18h, no Terreiro do Gantois (Federação) com o início dos trabalhos: o ritual da benção para que adeptos do candomblé promovam a atividade de amarrar tecidos sagrados usados nos cultos afro-brasileiros (os ojás) em árvores sagradas da capital baiana.

E no outro dia as ruas de Salvador amanhecem cobertas de tecidos brancos para baianos e turistas entenderem que o objetivo é pedir paz, respeito à liberdade religiosa e equilíbrio entre as pessoas. Neste ano, a alvorada lembrará ainda a memória do mestre de capoeira Moa do Katendê, ogã de candomblé vítima de um assassinato.

Promovido há 12 anos pelo Coletivo de Entidades Negras (CEN), entidade nacional do movimento negro brasileiro, o evento terá início por volta de 18h. Esse ano, a ação acontecerá em parceria com o Terreiro do Gantois, que abrigará a Alvorada dos Ojás e fará o ritual público de sacralização dos tecidos. O rito, além de ser uma benção coletiva é um pedido de permissão aos orixás para iniciar os trabalhos.

A atividade conta com o apoio da Sepromi (Secretaria de Promoção da Igualdade Racial) dentro da agenda do Novembro Negro e é aberta ao público. Para participar, todos devem vestir roupas brancas em sinal de paz, principalmente por ser uma sexta-feira, dia dedicado à Oxalá.

O grupo de parceiros da atividade em 2018 incluio artista plástico e fundador do Cortejo Afro, Alberto Pitta, responsável pela arte do tecidocom elementos ligados ao candomblé, o afoxé Filhos de Gandhyque fará a pintura dos 1.000 metros de tecido, além do Coral Ecumênico da Bahia, Orquestra de Berimbaus, Mestres de Capoeira e a família de Moa do Katendê.

Mãe Carmen, Iyalorixá do Terreiro do Gantois, destaca a participação de líderes religiosos de diversas matizes nessa ação. Para a líder religiosa, defender a paz e a união é a principal virtude do evento. “A mensagem que desejamos transmitir é uma mensagem positiva, dizendo que é possível conviver respeitando a religião do outro, sem proselitismo, sem violência, sem desrespeito. É disso que precisamos no Brasil, para consolidar o caráter laico do nosso Estado”, afirmou.

Para o historiador Marcos Rezende, coordenador-geral do CEN e ogã de Ewá, a Alvorada dos Ojás de 2018 é especialmente significativa, por acontecer num cenário de conflagração do país. “Queremos apenas que as pessoas se respeitem, respeitem as escolhas das outras, as opções religiosas, as opções políticas, e que o ódio seja banido do nosso convívio”, defendeu, explicando ainda a importância da atividade para o candomblé.

“O ojá é o traje que cobre o ori (a cabeça). Já a árvore é um elemento sagrado da natureza. Sem elas não existiria vida. É sobre a garantia da vida dos fiéis do candomblé que desejamos tratar, é sobre o direito constitucional que as pessoas têm de cultuar a sua religião, a sua fé, ou até, de não possuir religião alguma. Sabemos que o racismo religioso nos atinge porque essas religiões são oriundas da África”, afirma Rezende, que também ocupa o posto de Ojuobá da Casa de Oxumaré, outro terreiro histórico da capital baiana.

Título: Alvorada dos Ojás

Data: 16/11/18 (Sexta-feira)

Horário: 18h

Local: Terreiro do Gantois – Rua Mãe Menininha, 23 – Alto do Gantois/Federação