Tradição secular no Pelourinho: Festa de Santa Bárbara


 

Foto Elói Corrêa (Secom/BA)

A Bahia celebra na próxima terça-feira, 4 de dezembro, a Padroeira dos Bombeiros e dos Mercados, aquela que protege os seus fiéis em meio às grandes tempestades: Santa Bárbara. A festa, que é Patrimônio Imaterial da Bahia por simbolizar a cultura e costumes do povo que manteve viva essa tradição secular, é comemorada no Centro Histórico de Salvador, em momento de grande devoção. Todos os anos, mais de 10 mil fiéis se reúnem no Largo do Pelourinho, criando um cenário onde o vermelho impera.

Com realização da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, em parceria com o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac) e a Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), a edição de 2018 vem manter o legado e força da Festa de Santa Bárbara. Além da celebração religiosa, também estão confirmadas as atrações de samba no segundo momento da programação, já características da ocasião. A data abre o calendário de festas populares no estado.

Programação – O tradicional Caruru do Mercado de Santa Bárbara, promovido por comerciantes com o apoio da SecultBA, neste ano volta a anteceder os festejos e será distribuído no domingo (2). A programação terá início às 17h, com Missa em Ação de Graças que será celebrada pela Igreja de Santa Bárbara da Liberdade.

No dia 4, com início previsto às 8h, a Missa Campal é o principal momento da Festa de Santa Bárbara, reunindo milhares de fiéis que trazem pedidos, agradecimentos e presentes como flores, imagens e acarajés, ressaltando que a celebração católica traz em si a marca do dendê. O sincretismo religioso é uma das principais características da devoção à Santa, por isso, muitos homenageiam a Iansã.

Em comum, os seus seguidores trazem o espírito aguerrido para lutar contra as adversidades, buscando inspiração na fé. Na data solene, a cerimônia conduzida pela irmandade envolve a todos com cânticos e orações muito bem conhecidas pelos devotos. A participação dos clarins nas janelas do Centro de Culturas Populares e Identitárias é uma saudação a Santa Bárbara e aos fiéis presentes.

Ao final da missa, o cortejo segue em procissão. Na ladeira do Quartel do Comando Geral do Corpo de Bombeiros da Bahia, que também realiza uma celebração religiosa nas suas dependências às 8h30, o andor é entregue aos bombeiros, que, após recebê-lo pelos membros da irmandade promovem o encontro dela com a imagem do Quartel, para posteriormente continuar a procissão. Após a saída do cortejo é iniciada a distribuição do tradicional caruru (1000 kits) para a população presente no evento, bem como é realizada uma comemoração no Quartel da Barroquinha com estimativa de 300 convidados.

Foto Elói Corrêa (Secom/BA)

A Festa de Santa Bárbara é fortemente ligada à história do povo negro, que também tem como forma de homenageá-la a música, a alegria e a dança. Assim, a música afro-brasileira, especialmente o samba, se enraizou na celebração, sucedendo a realização da missa e do cortejo no Centro Histórico.

No Largo do Pelourinho, o cantor, carnavalesco e devoto Jorginho Commancheiro retorna à Festa de Santa Bárbara, abrindo a programação artística às 14h30. Em seguida, o grupo Samba Chula de São Brás vem representando o talento e espontaneidade do recôncavo baiano, subindo ao palco às 16h. Abrindo a noite, a banda Conexão Negra promete contagiar o público com a sua paixão pelo samba, fazendo todo mundo dançar a partir das 18h30. Encerrando a programação do palco principal, a cantora Claudya Costta traz um show especial, no qual estarão inclusos rodas de samba. O início do show será às 21h.

Acontecem eventos também nos largos do Pelourinho, como o Samba na Fé de Santa Bárbara, que movimenta o Largo Tereza Batista, das 14h às 21h, com as bandas 100% Samba e Chinelo de Couro. No Largo Quincas Berro D’água o Samba de Oyá reúne os grupos de samba dos blocos Fogueirão e Jaké, das 15h às 21h. Já o Largo Pedro Archanjo recebe as apresentações das bandas Samba Trator, Samba Simpatia e Pagode do Vinny, com início às 16h e término às 00h. Os shows são gratuitos.

Patrimônio – O culto a Santa Bárbara foi iniciado há quase 380 anos, e a festa é celebrada há mais de 200 anos. Por agregar valores culturais singulares, dar destaque às celebrações da fé católica e das religiões de matriz africana, a festa é registrada como Patrimônio Imaterial da Bahia em 2008, através do Decreto nº 11.353/08. Em dezembro de 2015, quando a celebração contava com mais de cinco anos de sua patrimonialização, técnicos do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC) iniciaram o estudo de reavaliação para a revalidação do Registro Especial da festa, conforme exigido por lei. A investigação, concluída em 2017, mostrou que a Festa de Santa Bárbara no Pelourinho permanece com as características que mantêm viva a tradição e devoção à Santa. São manifestações de fé, paz, alegria, união, tolerância. Elementos significativos que fazem deste um grande evento popular.

FESTA DE SANTA BÁRBARA – PROGRAMAÇÃO

MERCADO DE SANTA BÁRBARA

Caruru do Mercado de Santa Bárbara

Quando: 2 de dezembro, 17h

Gratuito

LARGO DO PELOURINHO

Missa Campal

Quando: 4 de dezembro de 2018, 8h

Jorginho Commancheiro

Quando: 4 de dezembro de 2018, 14h30

Samba Chula de São Brás

Quando: 4 de dezembro de 2018, 16h

Conexão Negra

Quando: 4 de dezembro de 2018, 18h30

Claudya Costta

Quando: 4 de dezembro de 2018, 21h

QUARTEL DO CORPO DE BOMBEIROS

Missa do Corpo de Bombeiros

Quando: 4 de dezembro de 2018, 8h30

Tradicional Caruru

Quando: 4 de dezembro de 2018, 12h

LARGO TEREZA BATISTA

Samba na Fé de Santa Bárbara

Atrações: 100% Samba e Chinelo de Couro

Quando: 4 de dezembro de 2018, 14h a 18h

LARGO QUINCAS BERRO D’ÁGUA

Samba de Oyá – Vou com Fé

Atrações: Samba Fogueirão e Samba Jaké

Quando: 4 de dezembro de 2018, 15h a 21h

LARGO PEDRO ARCHANJO

Samba Trator | Samba Simpatia | Pagode do Vinny

Quando: 4 de dezembro de 2018, 16h a 00h


10ª Lavagem da Estátua de Zumbi marca Dia da Consciência Negra


Divulgação

Mobilizar a população de Salvador e região metropolitana em um ato político e cultural em celebração ao Dia Nacional da Consciência Negra, fortalecer a luta contra o racismo, homenagear o líder Zumbi dos Palmares e o Mestre Môa do Katendê. Esses são os objetivos centrais da 10ª Lavagem da Estátua de Zumbi, que será promovida na Praça da Sé, em Salvador, a partir das 9 horas do dia 20 de novembro. A ação será realizada pela União de Negros pela Igualdade (Unegro), em parceria com diversas organizações dos movimentos sociais, com o apoio da Associação Classista de Educação e Esporte da Bahia (ACEB).

Além de resgatar a negritude e reafirmar a luta cotidiana pela superação do racismo, na perspectiva de construção de uma sociedade justa e igualitária, o evento este ano traz como tema “Rebele-se contra as opressões – Môa do Katendê vive!”. Para quem não sabe, Romualdo Rosário da Costa, conhecido como Moa do Katendê, que será homenageado in memorian durante a Lavagem, foi um compositor, percussionista, artesão, educador e um dos maiores mestres de capoeira de Angola da Bahia.

Defensor de um processo de “reafricanização” da juventude baiana e do carnaval, foi assassinado com doze facadas pelas costas após o primeiro turno das eleições gerais deste ano. Segundo testemunhas e a investigação policial, o ataque foi motivado por discussões políticas, após Romualdo declarar seu voto em Fernando Haddad (PT). A morte do compositor suscitou homenagens por artistas próximos como Caetano Veloso e Gilberto Gil, e também de artistas internacionais, como Roger Waters.

 

Divulgação

Bandeiras – A programação da 10ª Lavagem da Estátua de Zumbi inclui o “2º Festival de Saraus e Slams da Consciência Negra: pela vida da juventude, contra o genocídio”. De acordo com a presidenta da Unegro, Ângela Guimarães, o encontro vai “reafirmar bandeiras de lutas importantes, tais como o fim do extermínio da juventude negra, a superação do feminicídio das mulheres negras e os direitos à educação gratuita e de qualidade, à terra, ao trabalho e à renda”, resume. “Além de debater e despertar a sociedade para o enfrentamento do racismo e de suas múltiplas formas de expressão, precisamos enfrentar a onda conservadora presente na atual conjuntura do país.”, completa.

Socióloga, professora e atual chefe de gabinete da Secretaria de Trabalho, Emprego, Renda e Esporte do Estado da Bahia (Setre), Ângela destaca que o racismo, na atualidade, se expressa na banalização de milhares de mortes de jovens negros e negras todos os anos no nosso Estado e país. Segundo o Mapa da Violência (2016) e o Atlas da Violência (2017), o Brasil perde quase 60 mil pessoas por ano vítimas de homicídios, sendo que 53% são jovens entre 15 e 29 anos. Desses, cerca de 71% são negros. “Esses números, que superam os países em conflito civil no mundo, expõem a triste realidade a que está submetida a juventude negra brasileira e se configuram como um verdadeiro genocídio”, lamenta Ângela Guimarães.

O Dia Nacional da Consciência Negra é celebrado, no Brasil, em 20 de Novembro, data escolhida por ser o dia da morte de Zumbi dos Palmares, líder negro de grande importância na luta para o fim da escravidão no Brasil. Criado em 2003 e instituído em âmbito nacional mediante a lei nº 12.519, de 10 de Novembro de 2011, a celebração é dedicada à reflexão acerca da história de luta contra toda forma de opressão e discriminação.

Ângela Guimarães, presidente da Unegro. Divulgação

Unegro – A União de Negros pela Igualdade (UNEGRO), que completou 30 anos em julho deste ano, é uma entidade de expressão nacional da luta contra o racismo. Organizada em 25 estados da Federação e no Distrito Federal, a Unegro compõe o Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR), o Conselho Nacional de Saúde e o Conselho Nacional de Políticas de Juventude (CONJUVE). São princípios da entidade a luta contra o racismo em todas as suas formas de manifestação; o empenho na preservação e desenvolvimento da cultura negra; a defesa dos direitos culturais da população negra; a solidariedade e o apoio aos povos africanos e oprimidos de todo o mundo; o estímulo à participação política da população negra na definição dos destinos do país; a luta pelo exercício político da cidadania negra em todos os setores da vida social do país e a defesa de uma sociedade justa, fraterna, sem exploração de classe, de raça ou exploração baseada nas desigualdades entre os sexos.

Parcerias – São parceiros e estarão presentes no evento representantes das seguintes organizações: Associação de Moradores do Conjunto Santa Luzia, Escola Comunitária Luiza Mahin, Instituto de Mulheres Negras Luiza Mahin, Sociedade Protetora dos Desvalidos (SPD), Reprotai, União da Juventude Socialista (UJS), Movimento de Cultura Popular do Subúrbio (MCPS), Movimento C Cidadão, Equipe Amante da Dança (EAD), Grupo Recyta Samba (Ilha de Maré), Agente de Pastoral Negros (APNS), Movimento Negro Unificado (MNU), Escola Comunitária Nossa Senhora Medianeira, Grupo de Capoeira Zambelé, Grupo de Capoeira Olepe, Rede Quilombação, Levante da Juventude, Circo Palmarino, Movimento Sem Teto da Bahia (MSTB), Movimento das Trabalhadoras e Trabalhadorespor Direitos (MTD), Afoxé Filhos de Gandhy, Tambores de Búzios, Pastoral Afro, Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, seção Bahia (CTB- BA), União Nacional LGBT (UNA LGBT), Movimento em Defesa da Moradia e do Trabalho (MDMT), Mães pela Igualdade, Rede SAPATÁ e Movimento Sem Teto da Bahia – Democrático e Delutas (MSTB- DL) e CAAPA.

Lavagem da Estátua de Zumbi dos Palmares

Quando? 20 de Novembro de 2018 a partir das 9 horas

Onde? Praça da Sé, Salvador-BA.

Livre para todos os públicos.


Alvorada dos Ojás para paz, respeito e equilíbrio


Foto do site do CEN

A 12ª edição da Alvorada dos Ojás acontece 16 e 17 de novembro, às 18h, no Terreiro do Gantois (Federação) com o início dos trabalhos: o ritual da benção para que adeptos do candomblé promovam a atividade de amarrar tecidos sagrados usados nos cultos afro-brasileiros (os ojás) em árvores sagradas da capital baiana.

E no outro dia as ruas de Salvador amanhecem cobertas de tecidos brancos para baianos e turistas entenderem que o objetivo é pedir paz, respeito à liberdade religiosa e equilíbrio entre as pessoas. Neste ano, a alvorada lembrará ainda a memória do mestre de capoeira Moa do Katendê, ogã de candomblé vítima de um assassinato.

Promovido há 12 anos pelo Coletivo de Entidades Negras (CEN), entidade nacional do movimento negro brasileiro, o evento terá início por volta de 18h. Esse ano, a ação acontecerá em parceria com o Terreiro do Gantois, que abrigará a Alvorada dos Ojás e fará o ritual público de sacralização dos tecidos. O rito, além de ser uma benção coletiva é um pedido de permissão aos orixás para iniciar os trabalhos.

A atividade conta com o apoio da Sepromi (Secretaria de Promoção da Igualdade Racial) dentro da agenda do Novembro Negro e é aberta ao público. Para participar, todos devem vestir roupas brancas em sinal de paz, principalmente por ser uma sexta-feira, dia dedicado à Oxalá.

O grupo de parceiros da atividade em 2018 incluio artista plástico e fundador do Cortejo Afro, Alberto Pitta, responsável pela arte do tecidocom elementos ligados ao candomblé, o afoxé Filhos de Gandhyque fará a pintura dos 1.000 metros de tecido, além do Coral Ecumênico da Bahia, Orquestra de Berimbaus, Mestres de Capoeira e a família de Moa do Katendê.

Mãe Carmen, Iyalorixá do Terreiro do Gantois, destaca a participação de líderes religiosos de diversas matizes nessa ação. Para a líder religiosa, defender a paz e a união é a principal virtude do evento. “A mensagem que desejamos transmitir é uma mensagem positiva, dizendo que é possível conviver respeitando a religião do outro, sem proselitismo, sem violência, sem desrespeito. É disso que precisamos no Brasil, para consolidar o caráter laico do nosso Estado”, afirmou.

Para o historiador Marcos Rezende, coordenador-geral do CEN e ogã de Ewá, a Alvorada dos Ojás de 2018 é especialmente significativa, por acontecer num cenário de conflagração do país. “Queremos apenas que as pessoas se respeitem, respeitem as escolhas das outras, as opções religiosas, as opções políticas, e que o ódio seja banido do nosso convívio”, defendeu, explicando ainda a importância da atividade para o candomblé.

“O ojá é o traje que cobre o ori (a cabeça). Já a árvore é um elemento sagrado da natureza. Sem elas não existiria vida. É sobre a garantia da vida dos fiéis do candomblé que desejamos tratar, é sobre o direito constitucional que as pessoas têm de cultuar a sua religião, a sua fé, ou até, de não possuir religião alguma. Sabemos que o racismo religioso nos atinge porque essas religiões são oriundas da África”, afirma Rezende, que também ocupa o posto de Ojuobá da Casa de Oxumaré, outro terreiro histórico da capital baiana.

Título: Alvorada dos Ojás

Data: 16/11/18 (Sexta-feira)

Horário: 18h

Local: Terreiro do Gantois – Rua Mãe Menininha, 23 – Alto do Gantois/Federação


Mês da Consciência Negra: Negros e negras da Bahia


Mônica Santana em Isto Não É Uma Mulata na foto de Andrea Magnoni. Divulgação

Iniciada em setembro, a programação especial de retomada da Sala do Coro do Teatro Castro Alves (TCA) segue até dezembro. Neste mês, o foco está no Novembro Negro, com pautas que se engajam na negritude e na criação de negros e negras da Bahia. Haverá três shows na “Terça da Música”, com a cantora Aiace, a banda Igor Gnomo Group e Pedro Morais homenageando Cartola. Ainda de música, o encontro do Movimento Black Afro Pop. De teatro, estão agendadas uma temporada de “Medeia Negra”, do grupo Vilavox, e apresentações do espetáculo “Isto não é uma mulata”, de Mônica Santana.

O mês de novembro da Sala do Coro também recebe a X Jornada de Dança da Bahia, que trará ao palco seis peças de dança em quatro dias, incluindo o infanto-juvenil “Bonito”, de Paula Lice. Para completar com chave de ouro, a temporada de estreia da nova montagem do grupo Teatro NU, escrita e dirigida por Gil Vicente Tavares: “As Tentações de Padre Cícero”.

Seleção Pública – Esta ocupação resulta da Convocatória Especial Nova Sala do Coro – Ocupação da Pauta Artística da Nova Sala do Coro do TCA, lançada pelo TCA e pela Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), que contabilizou 113 inscrições. Deste montante, 27 projetos artísticos selecionados, nas linguagens de teatro, dança, circo e música, se unem à Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA), ao Balé Teatro Castro Alves (BTCA), aos Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia (NEOJIBA) e à Escola de Dança da Funceb para realizar um total de 80 apresentações, a preços populares. Na seleção das propostas, a curadoria buscou contemplar o maior número possível de atividades, observando a capacidade técnica e operacional da Sala do Coro do TCA, a diversidade dos projetos e seus públicos-alvo.

Confira Programação(sujeita a alterações)

Informações completas em www.tca.ba.gov.br

TEATRO: MEDEIA NEGRA

DIAS 9, 10 e 11, às 20h

A tragédia grega atualizada na voz e no corpo de uma mulher negra. Medeia Negra é um grito, épico, lírico e musical. A releitura traz a personagem trágica em um corpo bárbaro, atemporal, negro e sua relação com a versão mais conhecida do mito, do trágico Eurípides. Medeia representa as mães ancestrais que expressam a morte como transformação e reconstrução e não como o fim da vida. Nesta montagem, o mito grego é revisitado pelo processo de descolonização do pensamento patriarcal e, através dele, questiona o condicionamento social que marginaliza, julga e condena corpos considerados inadequados, estrangeiros, estranhos. Medeia Negra é o mais novo espetáculo do grupo Vilavox, primeiro solo da atriz Márcia Limma, com direção de Tânia Farias (Oi Nóis Aqui Traveiz/RS) e dramaturgia de Marcio Marciano (Coletivo de Teatro Alfenim/PB) e Daniel Arcades (Grupo NATA – Núcleo Afrobrasileiro de Teatro de Alagoinhas/BA).

Quanto: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia)

Classificação indicativa: 16 anos

TERÇA DA MÚSICA: AIACE

Foto divulgação de Matheus Leite

DIA 6, às 20h

Aiace apresenta o show de lançamento de “Dentro Ali”, seu primeiro disco solo. A noite conta com a participação especial do cantor Lazzo Matumbi. O álbum foi lançado digitalmente em 2017 e pode ser escutado na íntegra nas principais plataformas digitais. No show, Aiace vai apresentar as músicas que fazem parte disco, que conta com participações de nomes importantes da música brasileira como Luiz Melodia e Lazzo, além de regravações de clássicos como a música “Na Primeira Manhã”, de Alceu Valença. No palco, a cantora terá companhia da banda formada pelos músicos Alexandre Vieira (baixo), Sebastian Notini (bateria), Bruno Aranha (teclado), Théo Silva (Guitarra) e Gabi Riddim (programações eletrônicas). A direção musical fica sob o comando do multi-instrumentista Jorge Solovera.

Quanto: 20 (inteira) e R$ 10 (meia)

Classificação: Livre

TEATRO: ISTO NÃO É UMA MULATA

Foto de Andrea Magnoni. Divulgação

DIAS 7 e 14, às 20h

Vencedor do Prêmio Braskem de Teatro 2015, na categoria Revelação, o solo teatral “Isto Não É Uma Mulata” é uma obra que provoca reflexões sobre a representação da mulher negra, além de apontar as fragilidades do mito da democracia racial brasileira, com ironia e humor. Com criação e atuação de Monica Santana, a obra ganhou ressonância na cena teatral de Salvador por trazer uma perspectiva de discussão sobre as questões raciais, com uma linguagem aproximada com a performance, mas também incorporando elementos de cultura pop, ironia, depoimento pessoal e apontamentos de teatro épico. Partindo da famosa frase proferida por Gilberto Freyre “Branca para casar. Mulata para fornicar. Negra para trabalhar”, a artista Mônica Santana tece obras que questionam as formas de representação da mulher negra: seja a mestiça hipersexualizada, de formas exuberantes e sempre disponível para o sexo, seja a negra escura para o serviço braçal.

Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)

Classificação: 14 anos

TERÇA DA MÚSICA: IGOR GNOMO GROUP

Foto de Felipe Rezende. Divulgação

DIA 13, às 20h

O Igor Gnomo Group, natural da cidade de Paulo Afonso (Bahia), apresenta em sua sonoridade influências do jazz rock em simbiose com a música brasileira (ijexá, baião, maracatu). Com dois trabalhos autorais lançados, passando por diversos festivais pelo Brasil e Argentina, participações ao lado de Armandinho Macêdo, Luciano Magno, André Neiva, Gabriel Pensador, Coutto Orchestra, o trio é liderado pelo guitarrista Igor Gnomo ao lado do percussionista Gildo Madeira e o baixista André Jumper. Eles trazem a Salvador o show “Afrontar”, recém-lançado em turnê na Argentina, apresentando composições autorais e releituras que passeiam por Jackson do Pandeiro, Dominguinhos, Hermeto Pascoal e Chico Science. O Igor Gnomo Group convida o violinista Marcelo Fonseca e o baterista Igor Galindo para o espetáculo.

Quanto: 20 (inteira) e R$ 10 (meia)

Classificação: 14 anos

DANÇA: X JORNADA DE DANÇA DA BAHIA – “TOMBÉ” + “ZIRIGUIDUM”

DIA 15, às 19h

A X Jornada de Dança da Bahia apresenta duas peças numa única noite: “Tombé”, de Jorge Alencar, e “ZIRIGUIDUM – Ideias abertas para tocar e dançar”, do Grupo de Dança Contemporânea da UFBA.

Tombé – Você já tentou entender o sentido das coisas? Você já teve que inventar alguma teoria? Você já teve longas DRs com colegas de trabalho? Você já teve um chefe? Você já participou de dinâmicas de grupo? Você já perdeu o controle? “Tombé” é um espetáculo para você. Uma espécie de ‘stand up dance comedy’ que se constrói entre diversos vocabulários corporais, teorias cabeludas, desabafos de Facebook, citações de obras de autores variados.

ZIRIGUIDUM – Ideias abertas para tocar e dançar – Busca enaltecer a cultura popular e carnavalesca e entender como a movimentação corporal se relaciona com as músicas de massa. Baseado na dança afro e em ritmos como frevo e maracatu, além de ritmos do carnaval como o pagode e o axé. A peça foi inspirada no trabalho autoral do Núcleo de Percussão da UFBA, que, além da faixa-título, assina toda a trilha sonora do projeto e conta com a direção musical de Jorge Sacramento e Gilberto Santiago.

Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)

Classificação indicativa: Livre

DANÇA: X JORNADA DE DANÇA DA BAHIA – “O CORPO E A CIDADE” + “BORDA INFINITA”

DIA 16, às 19h

A X Jornada de Dança da Bahia apresenta duas peças numa única noite: “O Corpo e a Cidade”, do Balé Jovem de Salvador, e “Borda infinita”, da ExperimentandoNUS Cia. de Dança.

O Corpo e a Cidade – Trabalho coreográfico resultante de instalações de dança realizadas pelo elenco do Balé Jovem de Salvador (BJS) em espaços públicos de Salvador. Criada em 2007 pelo bailarino e coreógrafo Matias Santiago, a companhia de dança é uma das poucas iniciativas da Bahia que visam à formação artística e profissional do bailarino e à composição de seu portfólio.

Borda infinita – Um encontro de festa, corpos e danças. Um xirê afrofuturista de dançares negros. É um espetáculo-convite ao imaginário de heróis que podemos ser, ou sejamos sem perceber. Nossa armadura é a nossa celebração afetiva de construções poéticas políticas. No batidão do funk, saudamos esses nossos heróis, numa trilha sonora ao vivo livremente inspirada em cantos tradicionais de terreiros, samba-reggae e sonoridades eletrocontemporâneas.

Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)

Classificação indicativa: 14 anos

DANÇA: X JORNADA DE DANÇA DA BAHIA – “BONITO”

DIA 17, às 17h

A X Jornada de Dança da Bahia apresenta a peça infanto-juvenil “Bonito”, de Paula Lice. O que é Bonito para você? Bonito tem muitas caras, muitas idades, muitas cores. Bonito é um supermonstro de mil pernas que abraçam e mil braços que correm! É olhar para trás com os olhos de agora, vendo o que está na roda de mãos dadas, acima, abaixo e dentro também. É brincar com a sua criança e a criança do outro. É inventar maneiras diferentes de se esconder e se revelar e se esconder de novo. É cantar bem alto aquela música engraçada. Comer bala, soprar bola, montar uma cabana iluminada e inventar novos desfiles. É fazer cosquinha no monstro que te assustava na infância e escolher ser um monstro bem bonito amanhã e hoje. É girar ao redor de si até cair e ficar tonto, para levantar e girar mais uma vez. É sentir prazer, é estado de presença, é dançar um monstro bem bonito, para vocês.

Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)

Classificação indicativa: Livre

DANÇA: X JORNADA DE DANÇA DA BAHIA – “INVENTE EXPERIMENTE”

DIA 18, às 19h

Doze cenas coreográficas protagonizadas por dançarinos e novos talentos selecionados em convocatória pública. Com representantes do interior e da capital da Bahia – tanto de seu centro quanto de suas periferias –, e ainda de outros estados, o INVente EXperimente (INVEX) revela novas faces da dança, abrindo espaço para experimentações e descobertas. O conjunto de apresentações será aberto com trecho do espetáculo “Terra Além Mar”, de Andrea Raw (RJ).

Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)

Classificação indicativa: Livre

 

 

TEATRO: AS TENTAÇÕES DE PADRE CÍCERO

DIAS 23, 24, 25 e 30/11

DIAS 1, 2, 7, 8 e 9/12

Sex e sáb, 20h; dom, 17h e 20h

Nova montagem do grupo Teatro NU, escrita e dirigida por Gil Vicente Tavares. A peça leva para o palco o personagem Cícero Romão Batista, figura singular na religião e política do Nordeste, com participação em importantes e transformadores eventos do cenário político brasileiro, além de sua reverberação no imaginário artístico e cultural do nosso país. Em cena, o ator Marcelo Praddo repete a parceria com o músico Elinaldo Nascimento, que também atuará, e se junta aos talentosos e consagrados atores Lúcio Tranchesi e Denise Correia.

Quanto: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia)

Classificação indicativa: A divulgação

TERÇA DA MÚSICA: PEDRO MORAIS

Divulgação

27, às 20h

No show “As Rosas Não Falam – Uma homenagem a Cartola”, estreado em 2009, Pedro Morais busca resgatar a irreverência que o sambista mostrava ao interpretar a singularidade da vida cotidiana e amorosa dos morros, expressa nos sambas-canções composto pelo autor e criador da Escola de Samba da Mangueira. Cartola não apenas foi um grande compositor, como também um ótimo intérprete: sua obra conseguia imprimir a marca do cronista dos morros cariocas. Nesta nova formação, Pedro Morais é acompanhado pelos músicos Maurício Azevedo (violão, cavaquinho e flauta), Eduardo Brandão (violão 7 cordas e bandolim), Ilma Nascimento (violoncelo) e Alexandre Lins (percussão).

Quanto: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia)

Classificação indicativa: Livre

MÚSICA: MOVIMENTO BLACK AFRO POP

DIA 28, às 20h

Show de mistura das vozes inconfundíveis de Cida Martinez (Samba), Aloisio Menezes (Afro- Pop) e Portella Açúcar, verdadeiros representantes da cultura negra da Bahia, com repertório vasto nas músicas mais populares e contagiantes.

 


Festival de Itaparica terá shows de Gal Costa e Saulo


Gal Costa, Saulo e Diamba em shows musicais, Elisa Lucinda e Jackson Costa em espetáculos onde a poesia é o centro de tudo. Além disso, atrações artísticas estaduais e locais, ocupando a bela praça Jardim dos Namorados das 14h às 02h dos dias 2, 3 e 4 de novembro. Tudo de graça, à beira da Baía de Todos os Santos, na cidade histórica de Itaparica.

Assim será a segunda edição do FITA – Festival de Itaparica – Música & Poesia, realizado pela Prefeitura Municipal de Itaparica, através da sua Secretaria de Turismo e Cultura. Na presença de representantes de instituições e comunidade locais a prefeita Marlylda Barbuda anunciou a programação e destacou a importância do FITA como produto de Itaparica, que além de dar a oportunidade de mostrar a diversidade musical e cultura l do município, resgata em seus moradores o sentimento de pertencimento.

“É um evento que nasceu grande, e tivemos que enfrentar e superar dificuldades para garantir a sua realização. Mas o esforço tem resultados positivos, pois o festival trouxe o sentimento de orgulho e pertencimento aos moradores da cidade”, declarou a prefeita.

Foto divulgação de Hilário Freitas

Gente da terra – A cultura e arte locais têm espaço garantido na programação do FITA, que contará com apresentações de grupos da terra como Os Guaranis, subindo ao palco. Yulo Cezzar, curador e diretor artístico do evento, aposta na formação do pensamento crí tico através das ações do festival e aponta a importância da participação dos jovens durante a festa.

“Assim como na edição passada, teremos um concurso de poesia produzida por alunos das 21 escolas do município. Os vencedores subirão ao palco principal para recitar as poesias. É um momento muito lindo e emocionante”, afirmou ele.

Com a realização e o sucesso do projeto em 2017, o Festival de Itaparica recebeu o aval da prefeitura e está inserido na programação turística oficial do município, integrando o calendário festivo da cidade. Do ponto de vista institucional, o Festival reforça ainda a importância de Itaparica como centro regional de cultura, lazer e turismo, atraindo um público diverso e diferenciado, pessoas conscientes, consumidoras de produtos de qu alidade e preocupadas em preservar, conhecer e valorizar a cultura local.

A realização do Festival de Música e Poesia de Itaparica irá também movimentar a economia da cidade, trazendo benefícios para os comerciantes, com o aquecimento das vendas, para o setor de hotelaria, com a ocupação dos hotéis por turistas e visitantes, e para a comunidade, com a geração de emprego temporário, com a mão de obra local sendo absorvida para a execução de serviços diversos.

Assim, o FITA propõe fazer do município uma referência cultural da Baía de Todos os Santos, promovendo a autoestima de seus habitantes, fortalecendo a imagem de cidade turística e abrindo espaço para um nicho cada vez mais valorizado no mercado de turismo: o Turismo Cultural!