Salve Santa Dulce dos Pobres


20 de outubro, o grande dia de celebrar a santidade na cidade onde a Santa Dulce dos Pobres nasceu e fez tanta caridade, em uma festa na Fonte Nova, a partir da  12h30, com a abertura dos portões ao meio dia. O evento terá apresentações musicais, espetáculo teatral e missa presidida por Dom Murilo Krieger, Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil.

Os cantores Waldonys, Margareth Menezes, os Embaixadores de Irmã Dulce, Saulo e Tuca Fernandes, e Padre Antônio Maria se apresentarão durante a encenação do espetáculo “Império de Amor”. Uma peça que vai levar ao palco quase 700 atores, sendo 482 crianças e adolescentes do Centro Educacional Santo Antônio (CESA), além de idosos da instituição. Será encenada a história do Anjo Bom da Bahia com números de teatro, dança e música. Também a participarão da programação os cantores Adelmário Coelho, Targino Gondim e o tenor Thiago Arancam.

Doações para as Obras Sociais de Irmã Dulce (Osid)

Quem quiser doar para a campanha de reforma e modernização da Unidade de Oftalmologia da OSID – Banco Bradesco (237) / Agência: 2864-9 (Bradesco Empresas) / Conta Corrente: 11.136-8 / Razão Social: Associação Obras Sociais Irmã Dulce / CNPJ: 15.178.551/0001-17.

Para saber tudo sobre a eleita Melhor Ong, em 2018, a Osid https://www.irmadulce.org.br/

Uma vida santa e saúde abalada

Por Noemi Flores

Irmã Dulce foi considerada beata em 2011 e sua canonização aconteceu no dia 13 de outubro de 2019, no Vaticano, quando se tornou a primeira santa brasileira, baiana, natural de Salvador do estado da Bahia, Santa Dulce dos Pobres. Ela morreu em 13 de março de 1992, pouco tempo antes de completar 78 anos.

De acordo com Assessoria de Comunicação Social das Obras Sociais de Imã Dulce (Ascom-Osid), a fragilidade com que viveu os últimos 30 anos da sua vida, com a saúde abalada seriamente – tinha 70% da capacidade respiratória comprometida – não impediu que ela construísse e mantivesse uma das maiores e mais respeitadas instituições filantrópicas do país.

Sua vida toda foi batendo de porta em porta pelas ruas de Salvador, nos mercados, feiras livres ou nos gabinetes de governadores, prefeitos, secretários, presidentes da República, sempre com a determinação de quem fez da própria vida um instrumento vivo da fé, há relatos que até uma carta ela enviou a um Papa da época, solicitando ajuda para seus pobres.

Nas suas andanças a pedir ajuda, nem sempre a boa freirinha encontrava pessoas que compreendiam a sua bondade e caridade, e recebia muitos nãos pela frente, mesmo assim com sua generosidade e compaixão dos mais necessitados nunca abandonou o seu objetivo que era ajudar as pessoas que precisavam.

Em sua santa história de vida houve uma ocasião que estendeu a mão para um comerciante pedindo ajuda para seus pobres. Este cuspiu na mão da boa freirinha. Ela com toda a sua misericórdia falou que aquele era para ela e estendeu a outra mão pedindo que naquele momento doasse para os seus pobres.

A santa teve dois encontros com o Papa João Paulo II, em 7 de julho de 1980 no Centro Administrativo e no seu leito de morte em 20 de outubro de 1991, pois viria a falecer 5 meses após esta visita. O Papa mudou seu roteiro de visitas para ver Irmã Dulce que nem falar nem abanar conseguia mais, mas durante a benção ela derramou lágrimas. Foi um encontro de dois santos, pois o Papa também foi canonizado.

Vida dedicada à caridade

Ela era a segunda filha do dentista Augusto Lopes Pontes, professor da Faculdade de Odontologia, e de Dulce Maria de Souza Brito Lopes Pontes, ao nascer em 26 de maio de 1914 em Salvador, Irmã Dulce recebeu o nome de Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes.

Com 13 anos, ela já havia transformado a casa da família, na Rua da Independência, 61, num centro de atendimento a pessoas carentes. É nessa época que ela manifesta pela primeira vez o desejo de se dedicar à vida religiosa, após visitar com uma tia áreas onde habitavam pessoas pobres.A sua vocação para trabalhar em benefício da população carente teve a influência direta da família, uma herança do pai que ela levou adiante, com o apoio decisivo da irmã, Dulcinha.

Em 8 de fevereiro de 1933, logo após a sua formatura como professora, Maria Rita entrava para a Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, na cidade de São Cristóvão, em Sergipe. Pouco mais de um ano depois, em 15 de agosto de 1934, era ordenada freira, aos 20 anos de idade, recebendo o nome de Irmã Dulce, em homenagem à sua mãe.

A primeira missão de Irmã Dulce como freira foi ensinar em um colégio mantido pela sua congregação no bairro da Massaranduba, na Cidade Baixa, em Salvador. Mas, o seu pensamento estava voltado para o trabalho com os pobres. Já em 1935, dava assistência à comunidade pobre de Alagados e de Itapagipe, também na Cidade Baixa, área onde viriam a se concentrar as principais atividades das Obras Sociais Irmã Dulce.

Obras Sociais Irmã Dulce

As Obras Sociais Irmã Dulce (OSID) nasceram no dia 26 de maio de 1959, tendo como sua fundadora a freira baiana Irmã Dulce, conhecida como o Anjo Bom do Brasil. A instituição é fruto da trajetória de amor e serviço e da persistência da religiosa que peregrinou durante mais de uma década em busca de um local para abrigar pobres e doentes recolhidos das ruas de Salvador. As raízes da OSID datam de 1949, quando a Irmã, sem ter para onde ir com 70 doentes, pediu autorização a sua superiora para abrigar os enfermos em um galinheiro situado ao lado do Convento Santo Antônio. O episódio fez surgir a tradição de que o maior hospital da Bahia nasceu a partir de um simples galinheiro.

Atualmente, a entidade filantrópica abriga um dos maiores complexos de saúde 100% SUS do país, com cerca de 3,5 milhões de procedimentos ambulatoriais por ano, na Bahia, a usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), idosos, pessoas com deficiência e com deformidades craniofaciais, pessoas em situação de rua, usuários de substâncias psicoativas e crianças e adolescentes em situação de risco social. A organização conta com um perfil de serviços único no país, distribuídos em 21 núcleos que prestam assistência à população de baixa renda nas áreas de Saúde, Assistência Social, Pesquisa Científica, Ensino em Saúde, Educação e na preservação e difusão da história de sua fundadora.

Centro de Oncologia da Osid

Também conhecida como Complexo Roma, a sede das Obras em Salvador abriga, em seus 40 mil metros quadrados de área construída, 20 dos 21 núcleos da entidade, incluindo 954 leitos hospitalares para o atendimento de patologias clínicas e cirúrgicas. Desses núcleos, 19 apresentam atuação no campo da Saúde, a exemplo do Hospital Santo Antônio, Centro Geriátrico, Hospital da Criança, Unidade de Alta Complexidade em Oncologia, Centro de Acolhimento à Pessoa com Deficiência e Centro Especializado em Reabilitação e do Centro de Acolhimento e Tratamento de Alcoolistas. Somente no Complexo Roma são contabilizados por ano cerca de 2,2 milhões de procedimentos  ambulatoriais.

Ainda na sede das Obras Sociais, local que atende diariamente cerca de 2 mil pessoas, são realizadas por ano 12 mil cirurgias, além de 18 mil internamentos. Atualmente, mais de 4,3 mil profissionais trabalham na organização, sendo 2,8 mil funcionários somente no complexo da capital baiana, local onde atuam ainda 300 médicos e 300 voluntários.

Atendimento a idosos

A atenção integral, multidisciplinar e humanizada é uma das características do atendimento prestado pelas Obras Sociais Irmã Dulce. São ações que cobrem todo o espectro da assistência à saúde e que incluem atenção básica, 40 especialidades médicas, exames laboratoriais e de bioimagem, internação, cirurgias de alta complexidade e reabilitação. Destaque também para o Centro de Pesquisa Clínica e o Centro de Ensino e Pesquisa Professor Adib Jatene, unidades dedicadas às áreas de Pesquisa e Ensino em Saúde. Como hospital escola, a OSID oferece ainda internato de Medicina e 19 programas em residências médicas, além da Residência Multiprofissional em Atenção à Saúde do Idoso e Residência em Odontologia.

 

Também em Salvador está o 20º núcleo da OSID, o Memorial Irmã Dulce, uma exposição permanente sobre a vida e o legado da fundadora da instituição. Inaugurado em 1993, um ano após a morte da freira baiana, o núcleo está situado num prédio anexo ao Convento Santo Antônio, na sede das Obras. A visita ao memorial se estende ainda ao Santuário da Bem-Aventurada Dulce dos Pobres, situado também ao lado da sede da OSID e onde está localizado o túmulo do Anjo Bom da Bahia.

Alunos do CESA

Já no município de Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador, funciona o 21º núcleo: o Centro Educacional Santo Antônio (CESA). A unidade atende, em parceria com as Secretarias de Educação do Estado e do Município, 787 crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, oferecendo ensino em tempo integral do primeiro ao nono ano (Ensino Fundamental I e II), além de acesso à arte-educação, inclusão digital, atividades esportivas, assistência odontológica, alimentação, fardamento e material escolar gratuitos. O local conta ainda com uma unidade de sustentabilidade, o Centro de Panificação, responsável pela produção e comercialização de variados tipos de pães, panetones e outros produtos.

Além dos núcleos pertencentes à instituição, a OSID atua ainda na gestão de unidades externas de saúde, sendo responsável hoje pela administração de três complexos públicos, todos localizados na Bahia e vinculados ao Governo do Estado: Hospital do Oeste (Barreiras), Hospital Eurídice Sant’anna (Santa Rita de Cássia) e Hospital Regional Dr. Mário Dourado Sobrinho (Irecê). A entidade responde também pelo Centro de Convivência Irmã Dulce dos Pobres, localizado no Centro Histórico de Salvador, que tem como foco a assistência às pessoas em sofrimento psíquico e em vulnerabilidade social, incluindo usuários de substâncias psicoativas e pessoas em situação de rua, além do atendimento às famílias residentes no bairro e clientes referenciados pela rede SUS.

Para manter viva esta grande obra, a instituição conta com recursos do Sistema Único de Saúde e de convênios com organismos estatais, além de doações e venda de produtos. Fiel à missão herdada de Irmã Dulce, “Amar e Servir”, a organização ampliou seu alcance e se profissionalizou sem abrir mão de seus valores. Sua gestão é estruturada com base no Planejamento Estratégico e acumula prêmios e certificações como a ISO 9001:2015 (referência nacional para a certificação de sistemas de Gestão da Qualidade), Bem Eficiente, Top Social, Rainha Sofia e Rainha Letizia.

Turismo, religião e gastronomia

O largo de Roma ganhou um espaço especial, o Dulce Café foi inaugurado, dia 14 de dezembro 2017, pelas Obras Sociais Irmã Dulce com projeto visual arrojado e cardápio de qualidade. A identidade visual criada pela designer Goya Lopes e cardápio eclético montado em parceria com fornecedores selecionados, o café nasce com a proposta de tornar-se ponto de encontro numa das regiões mais tradicionais de Salvador, a Cidade Baixa. O espaço funciona diariamente, das 7h às 17h30.

Integrado ao Memorial Irmã Dulce e ao Santuário da Bem-Aventurada Dulce dos Pobres, no Largo de Roma, o Dulce Café ocupa o prédio histórico que abrigou dois projetos da freira baiana: o Círculo Operário da Bahia, primeira organização operária católica baiana, e o antológico Cine Roma, que movimentou a cena cultural de Salvador nas décadas de 1960 e 70 com apresentações de artistas como Roberto Carlos e Raulzito e seus Panteras. Cercado de referências que remetem à memória de Irmã Dulce e dos baianos, o ambiente procura recriar essa atmosfera.

“Tudo foi pensado com muito carinho. Nos apegamos aos detalhes para agradar tanto o nosso público, a exemplo dos residentes de medicina e os brasileiros e estrangeiros que visitam o memorial e o santuário, como os moradores de Salvador. Todos vão se encontrar num espaço novo, mas cheio de história, para relaxar e tomar um bom café”, diz a superintendente das Obras, Maria Rita Pontes, antecipando que uma programação cultural, com música e literatura, será agregada ao espaço, ao longo de 2018.

Escultura de tamanho real, do artista plástico Félix Sampaio, localizada no Dulce Café

Arte e lazer – Dentro dessa proposta, no ambiente pintado com as cores do Anjo Bom – azul e branco –, se destacam as mesas grandes projetadas para convocar a reunião das confrarias. O layout criado pela arquiteta Izabela Mota, responsável pela atualização do projeto arquitetônico, toma partido do desenho de Goya Lopes, que aciona palavras-chave do universo da beata. A devoção a Santo Antônio e a Nossa Senhora da Conceição, a paixão pela música que serviu de instrumento para a educação e a catequese, bem como o cotidiano marcado pelo acolhimento aos mais necessitados são os temas que nortearam o trabalho da designer.

Desse universo, emerge o repertório simbólico que dá identidade visual ao espaço. Além de criar a marca do Dulce Café, a artista também deixa sua assinatura no painel que remete à história da Mãe dos Pobres e em várias peças que integram o projeto. “Foi muito gratificante contar a história de Irmã Dulce com outro olhar, que é o olhar cultural, que tem esse viés. Para isso, tive que mergulhar em sua trajetória”, ressalta Goya Lopes.

Cardápio – A riqueza da história do Anjo Bom da Bahia se desdobra no cardápio do Dulce Café, que oferecerá algumas das guloseimas produzidas no Centro de Panificação Irmã Dulce, em Simões Filho, como o brownie e a broa de milho. Além dos itens de fabricação própria, serão oferecidos produtos de fornecedores conceituados, como o café da Latitude 13, marca da Chapada Diamantina, que vem se destacando internacionalmente na cozinha de grandes chefs. Para acompanhar, delícias como torta de maçã e outras iguarias. “Vamos trabalhar com doces e salgados, sanduíches e toasts”, diz Flávia Rosemberg, líder do Centro Educacional Santo Antônio – CESA, que abriga o centro de panificação das Obras. Alguns dos itens do menu homenageiam personalidades, como o ator Paulo Gustavo, que ganhou um brigadeiro com seu nome, além da atriz Malu Valle e Iafa Brites, produtora do filme Irmã Dulce.

As Obras Sociais Irmã Dulce contaram com o apoio da arquiteta Izabela Mota, da designer Goya Lopes e com a consultoria de July Allegro, dona da marca Café Latitude 13, que doaram seus talentos para a concretização do Dulce Café. A renda obtida com as vendas do novo espaço será toda direcionada para o CESA, núcleo de educação da OSID, localizado em Simões Filho, que atende 750 crianças e adolescentes em situação de risco social. (Texto  e fotos da Assessoria de Comunicação Social da Osid)

 

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