Juliana Ribeiro no Domingo do TCA

A primeira edição do Domingo no TCA em 2020, 14º ano do projeto, tem motes especiais: a cantora Juliana Ribeiro celebra seus 20 anos de carreira …




“Aos 50 – Quem me aguenta?” com Edvana Carvalho


Foto Diney Araújo/Divulgação

Comemorando 35 anos de carreira, a atriz de teatro, cinema e televisão
também assina o roteiro original do espetáculo dirigido por Marcelo Praddo.
Com estreia marcada para o próximo dia 6 de dezembro, às 20 horas,
no Teatro Vila Velha, o solo “Aos 50 – Quem me aguenta?” marca uma nova
fase da atriz baiana Edvana Carvalho (“Bando de Teatro Olodum”, “Malhação”
e “Irmãos Freitas”).
Mais do que nunca, para a intérprete, este é o momento de falar sobre a
mulher negra e sua maturidade, os aspectos sentimentais e sociais de seu
empoderamento, abordando temas como sexo, envelhecimento, filhos,
relacionamentos e sororidade ao ultrapassar as barreiras trazidas pelos 50
anos.
Edvana é autora dos textos do espetáculo, que fica em cartaz às sextas,
sábados e domingos, até dia 22 de dezembro, no espaço intimista e
descontraído do Cabaré dos Novos, inspirado no formato do Ted Talk, em que
conversas curtas são apresentadas de forma bem-humorada sobre as diversas
situações vividas no âmbito pessoal da intérprete.
“Aos 50 – Quem me aguenta?” traz uma abordagem crítica e
consciente, de uma mulher frente às demandas de uma sociedade que ainda
se guia pela valorização da juventude. Assim, temas como machismo,
misoginia, racismo e preconceitos diversos, servem como fonte para quebrar
paradigmas e mostrar as novas possibilidades do feminino no contexto
contemporâneo.
“Essa peça vem para comemorar os meus 35 anos de teatro e a minha
entrada na meia-idade. Estou vivendo outra fase na minha vida, que também é
de total empoderamento. Já me tornei avó, gosto de dizer que me tornei
vovógata!” – explica a intérprete e completa: “pela primeira vez vou ao palco
sozinha, um desafio que eu mesma me impus pessoalmente e como artista,
para falar sobre a mulher que eu vi crescer em mim nesses 51 anos de idade”.
Segundo Edvana, a peça toca em muitos tópicos, dentre eles
relacionamentos, filhos, a síndrome do ninho vazio, questões sociais,
cotidianas e, claro, situações engraçadas. Outra perspectiva, que permeia toda
sua carreira, é a de ser um instrumento de representatividade. “Acredito que
devemos estimular sempre a ideia de que meninos e meninas negros, oriundos
da periferia, como eu, podem ser atores e atrizes. Podemos estar em todos os
lugares que quisermos e, a cor da minha pele, origem e etnia, não podem ser
entraves para isso” – reforça.
Para o diretor Marcelo Praddo, falar sobre a maturidade, a passagem do
tempo e seu significado é sempre engrandecedor. “Além do tema principal, que
é o relato de uma mulher sobre sua experiência ao chegar aos 50 anos, outro

componente importante é que estamos falando de uma atriz negra” – comenta.
Ele acredita, assim como Edvana, que esta abordagem faz toda a diferença.
“Isto acrescenta pontos importantes e delicados à discussão, como
preconceito, discriminação e a dificuldade de sobreviver de arte num país como
o nosso.” – frisa o encenador.
Equipe “Aos 50 – Quem me aguenta?”
Natural de Salvador, Edvana iniciou sua carreira ainda na escola,
passando pelo Grupo de Teatro do SESC/SENAC, chegando à primeira
formação do Bando de Teatro Olodum. Integrou o elenco de algumas
produções da Globo, como as novelas "Malhação" e “Pega Pega” de Cláudia
Souto. No cinema destaque para as participações em “Ó Pai,Ó” e “Os Homens
São de Marte… E É para Lá que Eu Vou”. Atualmente, está no ar, no canal
TNT, com a personagem "Dona Zuleica", mãe do pugilista Acelino Popó
Freitas, na série “Irmãos Freitas”, de Sérgio Machado, Walter Salles e Aly
Muritiba. Edvana é licenciada em Teatro pela UFBA (Universidade Federal da
Bahia) e pós-graduada em Psicopedagogia. Em paralelo as artes cênicas,
ministra aulas/palestras em escolas públicas pelo Brasil e filma a película “As
Verdades”, do cineasta José Eduardo Belmonte.
Na direção, um dos mais atuantes profissionais das artes cênicas
baianas, Marcelo Praddo, que é Bacharel em Interpretação Teatral pela UFBA
e possui uma longa carreira dedicada ao teatro. Em mais de 30 anos de
carreira, trabalhou com os mais significativos diretores teatrais de Salvador. Foi
indicado ao Prêmio Braskem de Teatro por quatro vezes e recebeu a estatueta
pelos espetáculos “Boca de Ouro” (direção de Fernando Guerreiro), “Os
Pássaros de Copacabana” e “Um Vânia, de Tchekhov” (ambos dirigidos por Gil
Vicente Tavares). Ele também assinou a encenação do espetáculo infantil “O
Circo de Só Ler”, musical vencedor do Prêmio Braskem na categoria Melhor
Espetáculo Infantojuvenil de 2014.
Sobre o trabalho atual com Edvana, o diretor destaca: “somos colegas
de profissão, mas é a primeira vez que nos encontramos de fato. Tem sido
muito prazeroso conhecer a intimidade da mulher e da artista, e ver como ela
conduz o seu trabalho de atriz. Por ser um texto autoral, ela expõe muito suas
constatações e percepções do mundo e quis deixá-la à vontade.”
Praddo convidou profissionais com quem trabalha em outros
espetáculos para compor a encenação, como Bárbara Barbará (diretora de
movimento), Euro Pires (cenógrafo e figurinista), Luciano Bahia (trilha sonora) e
Fernanda Mascarenhas (iluminação). “São profissionais conhecidos, talentosos
e competentíssimos em suas áreas, que entendem a minha forma de conduzir
a direção de um espetáculo” – finaliza.
A produção da peça “Aos 50 – Quem me aguenta?” é da Coletiva
Comunicação Integrada, que desde 1997 realiza vários eventos culturais em
Salvador.

 “Aos 50 – Quem me aguenta?” – com Edvana Carvalho
Quando: 06/12 a 22/12 sexta e sábado, às 20h; domingo, às 19h
Onde: Teatro Vila Velha (Cabaré dos Novos)
Quanto: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia)
Venda de ingressos: Ingresso rápido e bilheteria do teatro
Telefone: (71) 3083-4600
Classificação: 18 anos
Realização: Coletiva Comunicação


Espetáculo Falsettolândia no Teatro Martim Gonçalves


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O espetáculo teatral Falsettolândia entra em cartaz no Teatro Martim Gonçalves, durante o período de 28 de novembro a 8 de dezembro. A montagem é inspirada no famoso musical, indicado a sete Tony Awards, que foi produzido pela primeira vez em 1979, na Off-Broadway’s Playwrights Horizons, e lançado sua primeira temporada na Broadway, em 1992, com 510 apresentações. O evento é gratuito e marca a formatura dos alunos de Interpretação Teatral da Escola de Teatro da UFBA.

A história gira em torno de uma família moderna: um homem rico e charmoso chamado Marvin, seu encantador e atraente amante Whizzer, sua neurótica ex-mulher Trina, o filho adolescente Jason, o terapeuta Mendel e as vizinhas Cordélia e Dra. Charlote. Através de intrigas conjugais e conflitos do cotidiano, gerados a partir de novas constelações familiares, as canções apresentam as diversas possibilidades de amar em plena década de 1980, quando uma nova ameaça surge no âmbito da sexualidade e interfere nas relações sociais.

A obra original “Falsettos” foi escrita em três livros: “In Trousers”, “March of the Falsettos” e “Falsettoland”. Para o espetáculo, os formandos decidiram montar o segundo e o terceiro livro em um musical de dois atos.

O elenco é composto por três alunos formandos em Bacharelado em Artes Cênicas: Breno Vuchman, Gabriel Rejã e Mell Marzola. Além de quatro convidados, graduandos na mesma instituição: Gabriela Britto, Lana Cambeses, Luana Milidiu e Wallacy de Andrade.

Falsettolândia – Musical

Data: de 28/11 a 8/12 de 2019

Horário: De quinta à sábado, às 20h. Domingo, às 19h.

Classificação: 12 anos

Entrada Gratuita.
@falsettolandia

 


“Dois pesos, Duas medidas” em cartaz no Teatro Sesi


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Pensando em contrapor a ideia de que gordo é sinônimo de pessoas sedentárias, feias, ausentes de saúde, o ator e diretor teatral João Guisande convidou o ator Daniel Calibam e a atriz Fernanda Beltrão, corpos gordos, para o espetáculo “Dois pesos, Duas medidas”, que estreia dia 21 de novembro, no Teatro Sesi Rio Vermelho, e fica em cartaz ate 13 de dezembro, quintas e sextas, às 20h.
De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 20% da população brasileira está acima do peso. Beltrão e Calibam nos apresentam duas personas gordas que trazem com humor e coragem situações cotidianas reais e imaginadas sobre o universo gordo. Condição repleta de preconceitos sociais que tem feito crianças e adultos entrarem numa guerra contra a balança, crises de ansiedade e a quebra do espelho, pois não conseguem enxergar beleza em seus corpos.
Na mesma linha poética de autoficção, trabalhada no espetáculo Foi Por Esse Amor – em que Guisande dirige e divide a cena com o pai para contar historias de família -, “Dois pesos, Duas medidas” traz experiências pessoais de Beltrão e Calibam. Sem uma dramaturgia linear e bastante fragmentada, escrita a seis mãos, os artistas dançam num ritmo frenético, utilizando bases da palhaçaria, da tragicomédia e do grotesco para falarem dos dramas e das delicias das gorduras dessa vida.
Com muita música e dança, ator e atriz exibem seus corpos, desnundam-se e trazem histórias dolorosas e engraçadas para provocarem reflexões a cerca da ansiedade gerada por uma sociedade gordofóbica, a relação da infância com a comida, a ideia de existência de um corpo ideal ou uma medida certa. “Dois pesos,  Duas medidas” é apoiado no trabalho da mimese e do humor desses dois corpos gordos para subir e quebrar o medo da balança.
Calibam e Beltrão trazem depoimentos e rememoram situações vivenciadas – o desfile de princesa do colégio; os comerciais cheios de tentação; crises de ansiedade; exclusão e reclusão social; superação e autoestima – “O corpo gordo que você se envergonha é lindo”; cirurgias e bariátricas; privações; as piadas e apelidos no ambiente familiar, estudantil e social; dietas infindáveis; a não conquista de personagens emblemáticos no Teatro – Hamlet, Romeu, Julieta, entre outros.
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Em um dos momentos do espetáculo, Calibam recorda da criança tímida e calada que se escondia no quintal de casa para brincar sozinha de criar personagens. “Ali eu Nunca era gordo, sempre me via Belo, Alto e Magro”. “Eu sempre convivi com manifestações de gordofobia. Desde criança, passando pela adolescência e chegando até a idade adulta. Acredito que mostrar esses problemas ao público sem sofrimento, através da diversão e do entretenimento transfere para mim o poder da situação, deixando o lugar de vítima e passando a controlar a situação que agora me empodera”, descreve o ator, que completa 20 anos de carreira em 2019.

Já Beltrão comenta que vive uma vida de dilema. “Sempre ouvi: Você não é gorda. Você é gordinha, fofinha, proporcional. Isso sempre me soou como se as pessoas quisessem amenizar minha gordura. Gente, sou gorda. Emagreci 10 quilos, continuo gorda. Tem haver com minha estrutura corporal. O fato de Calibam ser mais gordo que eu não me torna mais magra. O corpo do outro não pode ser meu parâmetro. Meu parâmetro sou eu, minha altura, minha estrutura”, pontua.

Em sua terceira direção, Guisande conta que “Dois pesos, Duas medidas” é um espetáculo que traz dois atores amigos para falarem de um assunto que é pouco debatido. “A ideia era produzir algo para trazer Calibam de volta a cena, depois de um período longe dos palcos. Um espetáculo que tivesse contação de histórias, muito humor e palhaçaria. Ao mostrar os rabiscos textuais a Fernanda, percebi que podia levar os dois para o palco para falarem desses corpos gordos, com pesos e estéticas diferentes e que ainda sim são gordos”, descreve o diretor.
Com poucos elementos cênicos, nenhum cenário e muita dança, “Dois Pesos, Duas Medidas” tem direção de movimento e assistência de direção de Mônica Nascimento. O espetáculo, repleto de músicas cantadas ao vivo, tem direção musical de Luciano Salvador Bahia. Já a iluminação é de Alisson de Sá e o figurino é uma criação coletiva de Guilherme Hunder e Fernanda Beltrão.
Ficha técnica
Dramaturgia – Daniel Calibam, Fernanda Beltrão e João Guisande
Direção- João Guisande
Elenco – Daniel Calibam e Fernanda Beltrão
Coreografia e assistência de direção – Mônica Nascimento
Direção musical e trilha sonora – Luciano Salvador Bahia
Iluminação – Alisson de Sá
Figurino – Fernanda Beltrão e Guilherme Hunder
Assessoria de Imprensa – Théâtre Comunicação / Rafael Brito Pimentel
Dois Pesos, Duas Medidas – com Daniel Calibam e Fernanda Beltrão 
Quando: 21 de novembro a 13 de dezembro – quintas e sextas, às 20h
Onde: Teatro Sesi Rio Vermelho 
Ingresso: R$30 inteira e R$15 meia 
Venda: Bilheteria do Teatro e no LINK www.sympla.com.br/doispesosduasmedidas

Começa o Novembro Negro no TCA


Bando de Teatro Olodum. Divulgação

No próximo dia 1º (sexta-feira), às 19h, o Teatro Castro Alves (TCA) será palco da abertura oficial do Novembro Negro, mês emblemático da luta pelos direitos da população negra. O evento tem como atração principal o Bando de Teatro Olodum e seu espetáculo “Tempos Negros: a legítima viagem”. A participação especial fica por conta da Banda Didá e de outros blocos afros da Bahia. As apresentações serão antecedidas de intervenções artísticas no foyer do TCA. Ingressos podem ser adquiridos pelo preço popular de R$1 (inteira) e 0,50 (meia).

Ao longo do mês o Governo do Estado, através da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) e demais órgãos estatuais, realiza e apoia diversas atividades, tendo como ponto alto o 20 de novembro, instituído como Dia Nacional da Consciência Negra. A programação do mês, que pode ser acessada no site da Sepromi (www.sepromi.ba.gov.br), inclui seminários, eventos culturais, rodas de diálogo, campanhas, dentre outras ações.

A instituição do dia 20 de novembro – O dia 20 de novembro foi instituído como o “Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra” em alusão ao líder negro Zumbi dos Palmares, falecido neste mesmo dia, em 1695. A medida tem como base legal a Lei Federal 12.519/11, em atendimento à demanda histórica do movimento negro no Brasil, que elegeu a figura de Zumbi como um símbolo da luta e resistência dos negros escravizados no país. Zumbi liderou o Quilombo dos Palmares (União dos Palmares, Alagoas), comunidade formada por escravos fugitivos das fazendas no Brasil colonial. O quilombo também foi palco da luta pela liberdade de culto religioso e prática da cultura africana.

Novembro Negro

Quando:  1º  de novembro de 2019 (segunda-feira), 19h

É terminantemente proibida entrada após início do espetáculo.

Onde: Sala Principal do Teatro Castro Alves

Quanto: R$ 1,00 (inteira) e R$ 0,50 (meia), das filas A a Z11

Classificação indicativa: Livre

VENDAS

Os ingressos para o espetáculo podem ser adquiridos na bilheteria do Teatro Castro Alves, nos SACs do Shopping Barra e do Shopping Bela Vista ou pelos canais da Ingresso Rápido. Acesse página de vendas em http://site.ingressorapido.com.br/tca.

 


Espetáculo infantil O Jabuti e a Sabedoria do Mundo


Fotos divulgação de Diney Araújo

Em um tempo distópico, o Cooxia Coletivo Teatral encena um novo espetáculo O Jabuti e A Sabedoria do Mundo, infantojuvenil dirigido por Guilherme Hunder que estreia no dia 02 de novembro e fica em cartaz no Teatro Sesi do Rio Vermelho até 24 do mesmo mês, sábados e domingos, às 16h. Na história, um quinteto de jabutis-griôs, brasileiros, reúnem-se aos fins de tarde para contar histórias de África, histórias donalem mar que reafirmam e legitimam o passado, para que assim se possa viver e acontecer o presente e o futuro.

“Somos filhos de além mar, somos filhos da diáspora!. O Jabuti e A Sabedoria do Mundo pretende promover este legado encantado vindo de África, o legado ancestral, a Sabedoria oral. Na sombra do pé de Irôko, da árvore sagrada, sábios jabutis espalham fragmentos de sabedoria. As lendas contadas por elas são todas histórias passadas de geração em geração, vividas por seus antepassados em um tempo antes do nosso, um tempo ancestral”, descreve Hunder, diretor do espetáculo.

Esse quinteto de Jabutis retoma a tradição griô, sábios africanos contadores de histórias, para narrar três fábulas: Ossain e o Poder das Ervas, O Jabuti e a Sabedoria do Mundo e O Caçador Serpente, ambas de tradição da nigeriana, país da costa Oeste da África. A construção dramatúrgica, direcionado pelo encenador, foi baseada em contos dos livros O Amuleto Perdido e Outras Lendas Africanas de Magdalene Sacranie, Tem Oba-oba no Baobá de Cláudia Lins, O Jabuti e a Sabedoria do Mundo de Vilma Maria, e As Aventuras de Torty, a Tartaruga de Sunny.

No primeiro conto, Ossain, conhecedor do poder das folhas, detentor de todos os segredos, remédios do próprio Olodumaré, descobre que Xangô quer tomar seu poder. Para esconder as folhas, Ossain contou com ajuda de Aroni (avó dos jabutis-griôs) e preparou uma cabaça com todas as folhas, a colocou no topo do Iróko, árvore sagrada. Xangô fica sabendo dos planos de Ossain e pede a Iansã que assopre uma grande ventania, que derruba a cabaça.

Antes que as folhas caíssem no chão todos os orixás pegam uma delas. É assim que cada orixá se torna dono de ewê (folha) – Omolú pegou canela de velho; Ogum os ramos de abre caminho; Xangô as folhas de Acocô. Este é o enredo do conto Ossain e o Poder das Ervas.Olulu Ofu Ogê, ou seja, “Era uma vez” O Jabuti e a Sabedoria do Mundo – título homônimo da obra, um pequeno Jabuti viaja pelo continente e ao passar por cada reino africano rouba e leva consigo sabedorias e histórias dos lugares.

Acreditava que, com toda a Sabedoria, deteria poder, respeito e dinheiro. Depois de roubar a sabedoria de vários reinos, como Oiô, Keto, Ifê, etc, a guarda no pé de Iróko e, em determinado momento, percebe que ela é “Como o vento, sopra com força … ninguém jamais conseguiu segurá-la”.

Por último, O Caçador Serpente, conta a história de um velho caçador que em África consegue uma porção – dada por uma feiticeira – e ao mergulhar o rosto nela torna-se uma serpente e sai a noite para caçar escondido dos filhos. Certo dia, ao sentirem a ausência do pai, um dos filhos descobre a porção e raivosamente a derruba. Ao retornar para casa, o caçador encontra a cabaça destruída e sem poder mergulhar o rosto na porção passa a ser uma serpente para sempre, sendo jamais reconhecido pelos filhos.

No palco, Genário Neto, Igor Nascimento, Joshy Varjão, Larissa Libório e Nitorê Akadã se revezam interpretando os jabutis griôs, contadores de histórias e as personagens dessas mágicas e engenhosas histórias – avô, avó, bisavô e tataravô, feiticeira, caçador serpente, orixás. Os jabutis refletem características e ações humanas. As histórias contadas nos deixam uma reflexão quanto a nossa conduta e o nosso comportamento em sociedade. Diogo Teixeira integra também o elenco do espetáculo, como stand in.

“A encenação pretende unir ancestralidade e contemporaneidade a fim de acessar o universo da meninada. Para isso, somamos jogos tradicionais africanos, deuses do Panteão Africano, atabaques, agogôs, games, internet, tecnologia e… ALAFIA! Nosso espetáculo pretende provocar os pequenos espectadores acerca da importância da preservação da memória, da tradição oral africana e de como mantê-las vivas cotidianamente. Abrimos o leque para discussões que tangem a construção da nossa identidade negra e temas como racismo e intolerância religiosa”, explica Hunder.

O conceito de distopia do espetáculo estará presente na iluminação de Alisson de Sá, que utilizará recursos alternativos para além dos refletores da caixa cênica. Com trilha executada “ao vivo”, o espetáculo reúne canções originais de Ray Gouveia e Felipe Pires, este último assina a direção musical, que reúne sons tradicionais e ritualísticos ao Hip-hop, música eletrônica e rock.

Apesar de serem jabutis, as personagens não serão animalizadas, conceito poético proposto para o figurino. “O figurino terá uma estrutura de colagem, sobreposição. Traremos signos do Jabuti por meio da roupa, uma delas é uma mochila – o casco -, um repositório que guarda elementos de cena e acumula a Sabedoria do Mundo”, antecipa Hunder. Já o cenário assinado por Zuarte Júnior, trará uma grande árvore, onde serão vividas e contadas as histórias ancestrais.

FICHA TÉCNICA
Texto – Adaptação de Guilherme Hunder a partir dos livros O Amuleto Perdido e Outras Lendas Africanas de MagdaleneSacranie, Tem Oba-oba no Baobá de Cláudia Lins, O Jabuti e a Sabedoria do Mundo de Vilma Maria, As Aventuras de Torty, a Tartaruga de Sunny e Brasil Africano de André Luís Silva.
Encenação e figurinos – Guilherme Hunder
Assistentes de Encenação – Letícia Aranha e Lucas Araújo
Elenco – Larissa Libório, Diogo Teixeira, Joshy Varjão, Nitorê Akadã, Igor Nascimento e Thiago Ribeiro
Canções originais – Ray Gouveia e Felipe Pires
Direção Musical – Felipe Pires
Cenário – Zuarte Jr.
Iluminação – Alison de Sá
Programação Visual – Diego Moreno
Direção de produção – Guilherme Hunder
Produção Executiva – Sidnaldo Lopes e Eric Lopes
Assistente de Produção – Merinha Paixão
Realização – Cooxia – Coletivo Teatral

Serviço
O quê: O Jabuti e a Sabedoria do Mundo – com direção de Guilherme Hunder
Quando: 02 a 24 de novembro, sábados e domingos, às 16h
Onde: Teatro Sesi Rio Vermelho
Ingressos:R$30 (imteira) e R$15 (meia)