
A Festa Literária Internacional do Pelourinho (FLIPELÔ) – 2026, em sua 10ª edição da maior festa literária da Bahia será realizada de 5 a 9 de agosto, exatamente no ano dos 40 anos da Fundação Casa de Jorge Amado, que promove o grande evento.
“2026 será um ano especial. Vamos celebrar a 10ª edição da FLIPELÔ e 40 anos da Fundação Casa de Jorge Amado. Por isso, resolvemos anunciar a data para que escritores e o público que vêm de outras cidades e estados possam se organizar com tranquilidade, já que a festa integra o calendário nacional de eventos literários”, destaca Angela Fraga, presidente da Fundação Casa de Jorge Amado, instituição cultural responsável pela realização da FLIPELÔ.
A edição 2025 reuniu mais 250 mil pessoas, durante os cinco dias de festas, no Centro Histórico de Salvador. “Tivemos um FLIPELÔ solar. O tempo contribuiu e o público veio aproveitar a rica e intensa programação. Desde o primeiro, o público foi maior em comparação com a edição anterior. Várias mesas de debates tiveram lotação máxima. Portões de algumas praças foram fechados devido o alcance do número de pessoas permitidas. Ficamos felizes que toda a essa movimentação foi para debater livros”, comemora Angela Fraga.
Balanço
Algumas novidades da edição 2025 serão mantidas, a exemplo de bate-papos no palco principal da festa no Largo do Pelourinho. “Este ano apostamos em conversas no palco principal. Deu muito certo. O Largo do Pelourinho, sempre associado à música, foi ocupado por um público ávido por debater literatura”, pontua a presidente da Fundação Casa de Jorge Amado.
De acordo com Angela Fraga, os novos espaços incorporados ao evento, a exemplo da Vale do Dendê e do CRIA, devem permanecer com programação oficial do evento. “Sempre buscamos ir incorporando novos espaços, acompanhando o crescimento da festa. A cada edição a FLIPELÔ fica maior e a incorporação de espaço que já atuam no Pelourinho, que ajudam a manter o Centro Histórico vivo e pulsante, é fundamental. Somos uma festa coletiva”.
Outro acerto reivindicado pela presidente da Fundação Casa de Jorge Amado foi a escolha do homenageado, o escritor e dramaturgo baiano Dias Gomes: “Trouxemos Dias Gomes para o lugar de destaque que ele merece. Apresentamos suas obras e seu legado à geração atual e reavivamos lembranças nas gerações anteriores. Foi uma homenagem linda, justa e merecida”.
2026
Os preparativos para edição 2026 já iniciaram, informa Angela Fraga: “Além da data, que estamos divulgando hoje, já escolhemos a pessoa homenageada. Também, definimos a participação de um grande nome da atual literatura brasileira como primeiro escritor convidado da 10ª edição”.
Em sua 10ª edição, a Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô) vai homenagear a sua idealizadora: a poeta baiana Myriam Fraga (1937-2016), que dirigiu a Fundação Casa de Jorge Amado de 1986 a 2016.
“Ao participar da Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), em 2006, ano em que Jorge Amado foi homenageado, ela voltou com uma ideia na cabeça, transformar o Pelourinho em palco de uma grande festa literária”, explica Angela Fraga, presidente da Fundação Casa de Jorge Amado.
“Aos poucos essa ideia foi se concretizando e, assim, em 2017 conseguimos realizar a primeira edição da Flipelô. Infelizmente, Myriam Fraga não conseguiu ver a concretização de sua ideia. Agora, na 10ª edição, achamos mais do que justo homenageá-la”, completa.
Produção literária
Myriam Fraga integra a lista das maiores escritoras e poetas brasileiras. Publicou 25 livros, sendo 13 de poesias, 5 de prosa e 7 voltados ao público infantojuvenil.
Seus poemas estão traduzidos para o inglês, espanhol, francês e alemão. Sua produção poética retrata questões sociais específicas do Nordeste e traz representações da Bahia, mas também busca uma construção do feminino, ressignificando figuras e temas da mitologia.
Foi eleita por unanimidade membro efetivo da Academia de Letras da Bahia, onde tomou posse no dia 30 de julho de 1985, passando a ocupar a cadeira de nº 13, que tem como patrono o poeta Francisco Moniz Barreto. Em 2015, tomou posse da vice-presidência da instituição.
Foi membro da Associação Baiana de Imprensa, além de manter colaboração em revistas e jornais, foi responsável pela coluna ‘Linha D’água’, sobre assuntos culturais, publicada aos domingos no jornal A Tarde de 1984 a 2004.
40 anos da Fundação Casa de Jorge Amado
A FLIPELÔ 2026 torna-se ainda mais especial, já neste ano comemoram-se os 40 anos da Fundação Casa de Jorge Amado, projeto também que contou com a participação ativa de Myriam Fraga, que fez da sua coluna ‘Linha D’água’ no jornal A Tarde uma tribuna em defesa de uma instituição que fosse guardiã e que mantivesse viva as obras do maior escritor baiano.
Tal empenho pela criação da Fundação Casa de Jorge Amado, levou Jorge Amado e Zélia Gattai a realizarem o convite para administrar a instituição, fato que aconteceu em 19 de junho de 1986, na Casa do Rio Vermelho, conforme relatado por Myriam Fraga no livro uma ‘Casa de Palavras’ (1997):
“Confesso que nesse instante tive um breve momento de pânico. Trabalhara intensamente para que o projeto se tornasse realidade. Sinceramente esperava poder continuar de algum modo a trabalhar nele, mas de repente ser colocada na direção parecia-me uma tarefa para qual possivelmente não estava preparada”.
Para o atual diretor executivo da Fundação Casa de Jorge Amado, Ticiano Martins, a escolha correta: “Myriam Fraga conduziu com muita garra, dedicação e empenho a instituição, fazendo da Fundação Casa de Jorge Amado um dos equipamentos culturais mais importantes do país e de reconhecimento internacional. Um ponto de cultura que pulsa com toda força no coração do Centro Histórico de Salvador e que mantém vivo o legado de Jorge Amado e Zélia Gattai”.
Calasans Neto
Toda essa homenagem a Myriam Fraga será estendida ao seu grande amigo e parceiro o baiano Calasans Neto, que é pintor, gravador, ilustrador, desenhista, entalhador e cenógrafo. Suas ilustrações estão presentes nas obras de Myriam Fraga desde a publicação do seu primeiro livro: ‘Marinhas’ (1964).
A parceria e amizade entre Myriam Fraga e Calasans Neto era tão forte, que ganhou menção de Jorge Amado no livro ‘Navegação de Cabotagem’, publicado em 1992: “A dupla é imbatível, Calá nasceu para ilustrar a poesia de Myriam, os poemas e as monotipias são da mesma matéria, visceral”.
E é essa amizade imbatível que será festejada na FLIPELÔ
“Não temos dúvida que será uma homenagem linda, à altura de Myriam Fraga e Calasans Neto, combinando com os 40 anos da Fundação Casa de Jorge Amado. A 10ª edição da FLIPELÔ será especial. O sonho de Myriam Fraga se concretizou, o Pelourinho tornou-se um grande palco de uma festa literária. Nossa missão é seguir com esse sonho vivo. O povo baiano tem nos ajudado e junto com a Fundação Casa de Jorge Amado transformou a FLIPELÔ em uma das mais importantes festas literárias do Brasil”, finaliza Ticiano Martins.
Programação
Abertura oficial – 19h
Largo do Pelourinho – Palco FLIPELÔ
Apresentação musical
Bossa Axé & Poesia
Belô Velloso (BA)
Participação: Evelin Buchegger e Maraiana Borges
Direção cênica: Edvard Passos (BA)
Quinta-feira (06/08)
10h | Vila Literária – Largo Tereza Batista
O cordel é pop
Bate-papo com Bráulio Bessa (CE), mediado por Ruan Passos (BA).
11h | Fundação Casa Jorge Amado
Uma Casa de Palavras: 40 anos depois
Encontro com Paloma Jorge Amado (BA) e Rafael Dantas (BA), com mediação de Angela Fraga (BA).
16h | Museu Eugênio Teixeira Leal
Território da palavra: uma conversa sobre criação e ancestralidade
Roda de conversa com Ana Maria Gonçalves (MG) e Tiganá Santana (BA), mediada por Leo Gonçalves (MG).
17h30 | Casa Motiva – Vale do Dendê
Apresentação da Camerata da Osba (BA).
19h | Largo do Pelourinho – Palco Flipelô
Letra & Música
Show de Chico Chico.
Sexta-feira (07/08)
14h | Museu Eugênio Teixeira Leal
Quando a poesia entra em cena
Bate-papo com Pablo Fidalgo (Espanha).
17h30 | Casa Motiva – Vale do Dendê
Apresentação musical da Banda Orin (BA).
Sábado (08/08)
11h | Museu Eugênio Teixeira Leal
A Língua Portuguesa em Trânsito: Escrita, Tradução e Pertencimento
Bate-papo internacional com Indran Amirthanayagam (Sri Lanka) e Jessi Fuller Fields (EUA), mediado por João Vanderlei de Moraes Filho (BA).
11h | Casa Caixa
As palavras que cabem em muitos mundos: uma conversa sobre imaginação
Roda de conversa internacional com Ondjaki (Angola) e mediação de Henrique Rodrigues (SP).
14h | Teatro Sesc-Senac
Espetáculo teatral O Céu da Língua, com Gregório Duvivier.
16h | Vila Literária – Largo Tereza Batista
Escritas para mudar o mundo
Lançamento do selo Atotô Literatura.
18h | Largo do Pelourinho – Palco Flipelô
Elas por elas: Astrid entrevista Carla Madeira.
Domingo (09/08)
16h | Fundação Casa Jorge Amado
Cancioneiro geral – Um sarau para Capinan
Com José Carlos Capinan (BA), Paquito (BA) e mediação de Claudio Leal (BA).
16h | Museu Eugênio Teixeira Leal
A Língua em Travessia: Portugal, África e Brasil
Roda de conversa internacional com João Melo (Angola) e José-Manuel Diogo (Portugal), mediada por Salgado Maranhão (MA/RJ).
16h | Vila Literária – Largo Tereza Batista
A palavra que deságua
Bate-papo com Aline Bei, mediado por Bruno Santana (BA).
18h | Largo do Pelourinho – Palco Flipelô
O mar entre baleias e canções: um tributo a Calasans Neto
Show de encerramento com as Ganhadeiras de Itapuã.



