Espaço Cultural da Barroquinha recebe novas apresentações de “Matéria dos Sonhos”


Divulgação

O Espaço Cultural da Barroquinha, situado na Rua do Couro, no Centro, recebe nesta quinta-feira (5), a partir das 19h, o espetáculo “Matéria dos Sonhos”, último trabalho realizado em vida pelo renomado diretor teatral Harildo Déda, falecido em setembro passado, como preparador do elenco. As apresentações seguem até domingo (8), com entrada franca – a retirada do ingresso deve ser realizada na bilheteria uma hora antes do início do evento.

A encenação teatral é o resultado do curso Clube da Cena – Solos – Grande Personagens realizado pela Companhia de Teatro Os Argonautas, em parceria com a Fundação Gregório de Matos (FGM) – Espaço Boca de Brasa Centro. O espetáculo narra composições literárias das grandes obras do dramaturgo inglês William Shakespeare, como Macbeth, Hamlet, Otelo, Ricardo II, Henrique V e Romeu e Julieta, entre outros.

“Nessas novas apresentações do último trabalho realizado em vida pelo mestre Harildo, o público poderá perceber a natureza especial do seu olhar sobre o ensino da interpretação e preparação do elenco, adquirindo também um caráter de reverência ao seu legado, tendo na interpretação os personagens conhecidos de Shakespeare. Será um lindo espetáculo de paixões, anseios e complexidade dos seres humanos”, enfatiza o diretor do espetáculo, Marcelo Flores.

De acordo com o presidente da Fundação Gregório de Mattos (FGM), Fernando Guerreiro, o espetáculo é um tributo à imortalidade da arte e à profundidade da condição humana. “Passa a ser também uma grande homenagem a Harildo Deda, um mestre cujo brilhante trabalho e talento continuam a ecoar em cada interpretação apaixonada dos personagens de Shakespeare. É uma reverência ao seu legado, sobre o espelho das paixões, anseios e complexidades que nos definem como seres humanos, todos moldados pela ‘Matéria dos Sonhos’”, pontua.


Lançamento do espetáculo “Give to me” de Qymira e Duendy Primeiro


Divulgação

Salvador foi a cidade escolhida para o lançamento da turnê internacional do espetáculo “Give to me” da multiartista internacional Qymira e músico baiano Duendy Primeiro. O espetáculo que acontece no dia 06 de outubro (sexta-feira) às 19h, no Largo Pedro Archanjo, Pelourinho, com entrada gratuita. O evento contará com apresentações de grandes nomes do rap baiano como Kaos Mc, Fúria Consciente, Zidane e discotecagem com Dj Doc B. e Dj Branco.

Qymira
Nascida em Hong Kong e criada em São Francisco, Qymira não é apenas uma artista, mas uma personagem 3D interativa multifacetada, trabalha com o renomado produtor musical Vehnee Saturno.
É a primeira violinista da Academia Nacional de Cordas do Reino Unido. Seu primeiro single pop, “Satisfied” fez sucesso com a  mistura de música clássica com popular. O álbum explodiu para o número 1 na parada UK Music Week Breakers.

Na sequência lançou o álbum de pop rock, “Metamothosis”, que se ramificou para trilha sonora e produções de filmes.

Durante sua carreira trabalhou com membros da Orquestra Filarmônica de Hong Kong e da Orquestra Sinfônica de Guangzhou e atualmente trabalha com Pip Williams ( Elton John, Barbara Streisand, Diana Ross) em vários shows orquestrais.

Duendy Primeiro
Artista há alguns anos no ramo musical com a banda de rap Fúria Consciente, agora se lança na carreira solo internacional. Recentemente fez um show ao lado de Qymira nas Filipinas e gravações em Hong Kong ao lado do seu produtor Doc B.

Realizado pela One Gaia, o espetáculo conta com o apoio da Casa do Hip-Hop Bahia, Centro de Culturas Populares e Identitarias – CCPI, Pelô da Bahia, Secretária de Cultura do Estado da Bahia – SECULT.

Agenda
O quê: Lançamento do espetáculo “Give to me” de Qymira e Duendy Primeiro
Quando: 06 de outubro (sexta-feira)
Horário: às 19h
Onde: Largo Pedro Archanjo, Pelourinho
Show: Qymira e Duendy Primeiro
Participações: Kaos Mc, Fúria Consciente, Zidane e discotecagem com Dj Doc B. e Dj Branco.

ENTRADA GRATUITA


“O Rabo e a Porca” na segunda temporada no TCA


Divulgação

Depois do sucesso da estreia em agosto, no Teatro Gregório de Mattos, “O Rabo e a Porca” retorna a Salvador com a segunda temporada do espetáculo, entre os dias 22 de setembro e 8 de outubro (sexta-feira a domingo), às 20h, desta vez na Sala do Coro do Teatro Castro Alves.

Com elementos cênicos do teatro físico, do teatro visual e do teatro gestual, a montagem traz à cena as atrizes Aicha Marques e Manu Santiago nos papeis de mãe e filha com interpretações cheias de visualidade, mas nenhuma palavra falada. A montagem inusitada fala de temas muito atuais – como patriarcado e relações tóxicas –, com direção de João Lima e roteiro de Aicha Marques, que se debruçou sobre a produção como forma de comemorar seus 30 anos de carreira.

“Eu estou bem contente com essa temporada, vai ser bem rico porque a Sala do Coro é um teatro que tem mais equipamento de luz, também tem uma relação de plateia muito interessante, a gente pode encaixar a plateia de várias formas. É um teatro que é o meu teatro dos sonhos, de médio porte e bem localizado, no Campo Grande, então eu acho que teremos um público muito maior. Eu tenho para mim que a gente vai bombar também na Sala do Coro”, avalia Aicha Marques.

“A gente segue confiante, na certeza de que teremos um público que vai prestigiar o teatro baiano, o teatro visual e gestual, nesse contexto incomum na criação dramatúrgica baiana. Estamos desejando muito que seja mais uma vez uma temporada de sucesso, recheada de pessoas como foi no Gregório de Mattos. Eu já soube que tem pessoas que vão assistir de novo, porque teatro gestual possibilita isso de captar várias camadas. O que a gente capta no primeiro momento pode mudar ao olhar novamente por outra perspectiva”, comenta a atriz Manu Santiago.

O espetáculo suscita reflexões sobre machismo, patriarcado, alienação parental e perda de identidade, assim como remexe percepções, crenças e questões do humano, numa narrativa cheia de detalhes e nuances. Aicha Marques assume a pele uma atriz de cabaré decadente, enquanto Manu Santiago interpreta a filha, fruto da relação da mãe com o dono do cabaré machista. Crescendo sob os gatilhos negativos da toxicidade construída na relação de seus pais, a menina liberta sua linhagem feminina, salvando a sua mãe do seu submundo mental e reacendendo as luzes do seu show.

A produção executiva do espetáculo tem assinatura da Multi Planejamento Cultural. O Governo da Bahia apresenta o espetáculo cênico contemplado pelo Edital Setorial de Teatro 2019 e tem apoio financeiro do Governo do Estado, através do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda, Fundação Cultural do Estado da Bahia e Secretaria de Cultura da Bahia.

Serviço
O Rabo e a Porca
Quando: 22 de setembro a 08 de outubro, sextas, sábados e domingos, às 20h
Onde: Sala do Coro do Teatro Castro Alves
Quanto: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia)
Classificação indicativa: 14 anos
É terminantemente proibida a entrada após o início da sessão

VENDAS
Os ingressos para o espetáculo podem ser adquiridos na bilheteria do Teatro Castro Alves (clique aqui para informações de funcionamento) ou no site e aplicativo da Sympla (www.sympla.com.br).

MEIA-ENTRADA
– A concessão da meia-entrada é assegurada em 40% do total dos ingressos disponíveis para o evento.
– O Teatro Castro Alves cumpre a Lei Federal 12.933 de 29/12/2013, que determina que a comprovação do benefício de meia-entrada é obrigatória para aqueles que gozam deste direito.
Clique aqui para mais informações e lista de documentos comprobatórios válidos


Estreia do espetáculo Pititinga – Peixe Pequeno


Fotos:: Divulgação

Pititinga é um pequeno peixe de escamas, que habita regiões costeiras e costuma formar grandes cardumes. Apesar de ágil, é presa fácil para outros peixes e aves, e para os seres humanos que devoram porções de pititingas fritas. Longe dos oceanos, há outros seres que, assim como as pititingas, são vistos como “peixes pequenos” e que sem poder nem prestígio têm as suas subjetividades devoradas por uma sociedade repleta de regras e padrões estéticos e morais.

É sobre esses seres que trata o espetáculo “Pititinga – Peixe Pequeno”, uma produção que reúne artistas baianos e brasilienses, e que estreia em Salvador, nos dias 12 a 17 de setembro, estreia no Teatro Gamboa Nova, como parte da programação do mês da diversidade na Bahia. As sessões iniciam às 19h (terça a sábado) e 17h (domingo), e os ingressos podem ser adquiridos no Sympla ou na bilheteria do teatro por R$20 (inteira) e R$10 (meia).

No palco, três atores e uma atriz brasilienses – Ellen Gabis, Davi Dias, Jefferson Vieira e João Paulo Machado – interpretam as “criaturas-peixe”, seres que navegam no mar de suas memórias e dores, mas também nas águas da cura, num mergulho interno à procura de respostas. Afinal, como as pessoas que escapam à norma encontram sentido para as suas existências? O espetáculo reflete sobre as aflições de pessoas atípicas ou corpos marginalizados, sobretudo, no que diz respeito à sexualidade, gênero e racialidade.

Para além desses marcadores sociais, ou talvez por causa deles, as vidas das “criaturas-peixe” costumam ser marcadas também pelo amor não correspondido; pelo abandono, às vezes, dos próprios pais; pela incompreensão e invisibilidade; pelo medo da solidão e da morte. Por essas linhas passam as histórias costuradas no palco pelas quatro personagens, que buscam encontrar os seus lugares no mundo e entender os seus próprios desejos.

Em diálogo com o Teatro Documentário, gênero criado pelo diretor alemão Erwin Piscator, nos anos 1920, que utiliza documentos e memórias como fontes para a elaboração do espetáculo, “Pititinga – Peixe Pequeno” possui uma dramaturgia autoral e coletiva. Através de experimentos, exercícios e compartilhamentos de depoimentos, fotografias, relatos, entrevistas, cartas e diários, os atuantes produziram relatos autobiográficos para a construção colaborativa da dramaturgia.

Esse processo colaborativo foi orientado pelo ator e diretor baiano Thiago Carvalho, que assina a direção do espetáculo. Doutorando no Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas – PPGAC-UFBA, Thiago esteve como professor substituto na Universidade de Brasília – UnB, quando conheceu os atuantes brasilienses que formam o Coletivo Poéticas da Meia Noite. “Neste trabalho, buscamos radicalizar a linguagem, ou seja, criar mecanismo de contraponto ao que está posto como norma, propondo um novo modo de se expressar”, explica Thiago. A partir do resgate da individualidade e singularidade de cada integrante, foram encontradas formas de codificação da experiência vivida através da linguagem escrita, poética e dramatúrgica.

Já a visualidade do espetáculo se inspira na imensidão do mar, através das redes que, por vezes, aprisionam as “criaturas-peixe” e, por outras, as conectam pelas redes da vida e do mundo digital; e também nas escamas, entendidas como sendo as camadas de informações que cada ser carrega, sejam camadas psicológicas, sociais, existenciais. “Durante o espetáculo, o figurino vai sendo desconstruído, perdendo e ganhando novas camadas para revelar a essência individual de cada ser, até chegar à pele”, explica o figurinista Rino Carvalho. A cenografia e a luz são assinadas por Yoshi Aguiar.

Processo criativo online – Embora o início do trabalho tenha se dado na presencialidade, a maior parte do processo foi desenvolvida através de plataformas e aplicativos online, uma vez que Thiago precisou retornar à Bahia. “Uma das fases prioritárias do processo criativo, em que foram analisadas as construções textuais e definidos os estados emocionais, e a ‘fisicalização’ destes por parte dos artistas/propositores, foi realizada por meio da telepresença”, conta ele.

Thiago lembra que iniciou suas primeiras experiências tanto de criação cênica quanto de apresentação ao público em ambiente virtual durante a pandemia da Covid-19 e, desde então, compreendeu que “este se trata apenas de uma nova ferramenta para a criação do evento teatral”. No período pandêmico, ele dirigiu o trabalho cênico “Entocadas”, do Coletivo das Liliths, e o espetáculo “Corpo Presente” do grupo de Teatro Finos Trapos, solo da atriz Carla Lucena que foi adaptado do virtual para o palco e tem feito apresentações na Bahia.

“No início, o coletivo não achava possível acontecer uma comunicação legítima, mas essa experiência corroborou para compreendermos as potencialidades do meio digital para o teatro”, afirma Thiago. Ele destaca que, mesmo no meio digital, a medida humana não é descartada, permitindo assim diálogos entre pessoas, tecnologias e linguagens.

Sobre o Coletivo – Fundado em 2021, o Coletivo Poéticas da Meia-Noite desenvolve trabalhos no campo da pesquisa, produção e formação, buscando aproximar tradição e contemporaneidade, seja a partir dos temas do imaginário que evoca em suas obras cênicas, seja pelo diálogo da dramaturgia canônica e discussões e procedimentos da criação, como é o caso do processo colaborativo de criação dramatúrgica. Partindo de uma pesquisa da intersecção entre memória e alteridade na construção dramatúrgica, o coletivo busca provocar o atravessamento “no outro” através da performance art. Dentro da telepresença, o campo da memória tem sido explorado pelos membros do coletivo na construção de uma ética individual provocada por uma ética coletiva.

Sobre o figurinista – Diretor, figurinista, maquiador e ator, Rino Carvalho assinou seus primeiros trabalhos de figurino e maquiagem em 2000, e logo recebeu o Prêmio Braskem de Teatro Revelação com o espetáculo Esperando Godot. A partir de então, ele inicia uma vasta produção no teatro, dança, música e moda, e torna-se um dos figurinistas mais requisitados, colaborando com encenadores como Fábio Espírito Santo, Hebe Alves, Fernando Guerreiro, Nehle Franke, João Lima, Adelice Souza, Paulo Henrique Alcântara, Carmem Paternostro; além de grupos artísticos como Dimenti, Dance Brasil e Balé do Teatro Castro Alves.

Pela criação do figurino da peça Mameluco (2004), Rino foi citado no New York Times, além de ser destacado por Glentzer. Em 2006, recebeu o Prêmio Troféu Caymmi de direção artística com o show Mais Mundo da banda A Volante do Sargento Bezerra e, no mesmo ano, dirigiu o show de lançamento do CD Pecadinho, que projeta nacionalmente a cantora Márcia Castro. Rino é formado pelo curso Profissional de Técnico de Ator na Fundação das Artes de São Caetano do Sul, São Paulo, e pelo curso de Direção Teatral na Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Sobre o Diretor – Thiago Carvalho é ator, pesquisador, produtor executivo, gestor e educador, e está doutorando no Programa de Pós Graduação em Artes Cênicas (PPGAC-UFBA), além de ser membro do Grupo de Teatro Finos Trapos (Ba) e Coletivo das Liliths (Ba). Como diretor, assina o espetáculo “Corpo Presente”, indicado ao Prêmio Braskem de Teatro (2021), e as montagens “Culto Conto Erótico” e “Memórias e Declarações:

Do amanhã para hoje”, pelo Finos Trapos, além de “Abraço Apertado Suspiro Dobrado” e “Onde Mora o Amor”, pelo Coletivo das Liliths. Thiago também atua como professor, já tendo dado aulas na Universidade de Brasília, Escola de Dança da Funceb, Faculdade 2 de Julho. Atualmente, é professor tutor no curso de Licenciatura em Teatro da UFBA, e professor credenciado no Programa de Pós-graduação lato sensu em Pedagogia das Artes: linguagens artísticas e ação cultural [EPArtes], além de trabalhar como assessor técnico na Diretoria de Espaços Culturais da Secretaria de Cultura da Bahia – SecultBa.

Ficha Técnica

Espetáculo Pititinga – Peixe Pequeno

Direção e Dramaturgia: Thiago Carvalho

Intérpretes e Textos: Davi Dias, Ellen Gabis, Jefferson Vieira e João Paulo Machado

Trilha Sonora e Sonoplastia: Gabão

Cenografia, Designer Visual e Iluminador: Yoshi Aguiar

Operação de Luz: Frank Magalhães

Assistência de Direção: Briza Mantzos (Brasília) e Joadson do Prado (Salvador)

Coordenação de Produção: Fernanda Duarte, Gabriela Vasconcelos e Micael Pereira Rodrigues

Figurino e Maquiagem: Rino Carvalho

Costureira: Angélica Florença

Fotos: Jaitai Ribeiro e Duda Rodrigues

Edição de Vídeos/filmagem: Jaitai Ribeiro

Assessoria de Comunicação: Gabriela Fonseca

Projeto de Mediação Cultural: Criare Projetos Culturais e Educacionais

Coordenação: Poliana Bicalho

Assistente Mediação Cultural: Silara Aguiar

Coordenação Geral: Thiago Carvalho

Realização: Coletivo Poéticas da Meia Noite

Coletivo Poéticas da Meia Noite: Thiago Carvalho, Davi Dias, Ellen Gabis, Jefferson Vieira, João Paulo Machado, Fernanda Duarte,Gabriela Vasconcelos, Micael Pereira Rodrigues e Jaitai Ribeiro.

Serviço
O quê: Espetáculo “Pititinga – Peixe Pequeno”

Quando: 12 a 17 de setembro – 19h (terça a sábado) e 17h (domingo)

Onde: Teatro Gamboa Nova

Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)

Duração do Espetáculo: 60 minutos

Classificação indicativa: 14 anos

Vendas através do Sympla e na bilheteria do teatro.

 

 


Exposição em celebração aos 100 anos de Mário Cravo Jr.


Mário Cravo Jr. Foto Mário Cravo Neto/Divulgação

Um dos mais importantes artistas do movimento modernista das artes na Bahia, o escultor, gravador, desenhista e professor, Mario Cravo Jr. (1923-2018), é homenageado pelo Museu de Arte Moderna, com inauguração da exposição comemorativa Mario Cravo Jr – Legado – 100 anos nesta terça-feira (29), às 17h, no primeiro pavimento do Casarão do Museu (Av. Lafayete Coutinho, s/n – Comercio, Salvador – BA).

São cerca de 60 quadros pintados sobre madeira e tela, parte da coleção que foi doada ao Estado da Bahia, composta por pinturas, esculturas, desenhos e serigrafias produzidas nos anos 1980 até meados da década de 1990. A maior parte das obras estavam no ateliê do artista no Espaço Cravo, no Parque Metropolitano de Pituaçu (Orla Atlântica de Salvador), onde também havia uma edificação para exposições e obras de arte expostas ao ar livre. O parque é administrado pela Secretaria de Meio Ambiente (SEMA), mas as obras ficaram sob a responsabilidade da Secretaria de Cultura (SecultBA) e do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC).

Para Luciana Mandelli, diretora Geral do IPAC, a exposição celebra o centésimo ano de nascimento do artista baiano e faz uma justa homenagem a este que é um expoente da geração de artistas modernistas da Bahia. “Com o novo sistema estadual de museus, instalado em nossa gestão, estamos qualificando e diversificando o perfil das nossas exposições que são apresentadas para o público. Mario Cravo Jr. deixou o seu legado e segue uma referência viva para muitos artistas. Suas obras estão em processo de transferência de salvaguarda para o Museu de Arte Moderna da Bahia e apresentá-las ao público é motivo de muito orgulho para a Bahia”, afirma Luciana.

De acordo com a diretora do Museu, Marília Gil, a exposição apresenta a expressão vigorosa e criativa desse artista baiano. “Para nós é uma honra conservar e promover obras de uma trajetória tão rica e produtiva de um modernista baiano da importância de Mario Cravo Jr.”, afirma Marília. De acordo a diretora, duas das esculturas que estavam na antiga sede dos Correios, no bairro da Pituba, em Salvador, também farão parte do acervo do MAM em um segundo ato da exposição, ainda sem data confirmada.

O Museu de Arte Moderna da Bahia é administrado pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia, unidade vinculada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia. Funciona de terça-feira a domingo, de 10h às 18h. Mais informações: (71) 3117-6132 e 3117-6139 (segunda a sexta, 9h às 12h e 13h às 15h) e www.mam.ba.gov.br.

MAM e obras públicas – O curador da mostra e atual diretor do Museu de Arte Contemporânea (MAC Bahia), Daniel Rangel, destaca que Mario Cravo Jr. foi um dos primeiros interlocutores artísticos de Lina Bo Bardi, primeira diretora do Museu de Arte Moderna da Bahia e autora do restauro do Solar do Unhão, em Salvador. “Mario foi também o segundo diretor do museu, entre 1966 e 1967, e agora grande parte da sua produção passa a fazer parte desse museu”, completa Daniel.

Daniel explica que essa exposição não é uma retrospectiva, mas sim um pequeno recorte do acervo doado e produzido nos anos 80 e 90. Segundo o curador, Mario Cravo possui o maior número de obras instaladas em locais públicos na capital baiana. “Além das obras do Parque de Pituaçu, ele fez a antiga ‘Sereia’ de Itapoan, no início da Avenida Dorival Caymmi, a ‘Cruz Caída’ na antiga Sé e o busto de Ruy Barbosa no Fórum da cidade”, relata Daniel Rangel. Ele lembra ainda a fonte diante do Elevador Lacerda e o monumento Clériston Andrade, na Avenida Anita Garibaldi, dentre muitos outros.

Sobre Mario Cravo Júnior

nasceu em Salvador (1923) e faleceu na mesma cidade (2018). Foi escultor, gravador, desenhista e professor universitário. Filho de um próspero fazendeiro e comerciante, Mario da Silva Cravo e Marina Jorge Cravo (prima do poeta Castro Alves), a família morava na Ribeira de Itapagipe quando Mario, o primeiro de quatro filhos, nasceu. A família veio de Alagoinhas numa tentativa de se instalar em Salvador, mas em poucos anos retornaram à Alagoinhas pois seu pai foi eleito prefeito da cidade. A política esteve presente na vida de seu pai, apesar de ser comerciante e fazendeiro, uma tradição de família. Também escreveu um livro, “Memórias de um homem de boa fé” (1975). Já sua mãe gostava de literatura e poesia, sendo responsável pelos primeiros contatos de Mário com os livros.

Na fase escolar retorna a Salvador para estudar, onde frequenta o Colégio Antônio Vieira. É nesse período que ele descobre sua habilidade para o desenho e seu interesse pela astronomia. Depois, Mario experimenta a argila do Rio Itapicuru, onde experimenta pela primeira vez o esculpir. Nesta mesma época, embora tenha montado um observatório na fazenda que seu pai comprou no interior da Bahia, sua vontade de se tornar um astrônomo foi liquidada pelo fato de saber que teria de estudar engenharia e daí por diante fazer cálculos de maré. Em 1945 casa-se com Lúcia e desta união nascem quatro filhos, o primeiro é Mario Cravo Neto (1947-2009) o renomado fotógrafo.

Mario Cravo Jr. executa suas primeiras esculturas entre 1938 e 1943, período em que viaja pelo interior da Bahia. Em 1945, trabalha com o santeiro Pedro Ferreira, em Salvador, e muda-se para o Rio de Janeiro, estagia no ateliê do escultor Humberto Cozzo (1900-1973). Realiza sua primeira exposição individual em 1947, em Salvador. Nesse ano, é aceito como aluno especial do escultor iugoslavo Ivan Mestrovic (1883-1962) na Syracuse University, no Estado de Nova York, Estados Unidos, e, após a conclusão do curso, muda-se para a cidade de Nova York.

De volta a Salvador, em 1949, instala ateliê no Largo da Barra, que logo se torna ponto de encontro de artistas como Carlos Bastos (1925-2004), Genaro de Carvalho (1926-1971) e Carybé (1911-1997). Em 1954, passa a lecionar na Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Entre 1964 e 1965, mora em Berlim, patrocinado pela Fundação Ford. Retorna ao Brasil em 1966, ano em que obtém o título de Doutor em Belas Artes pela UFBA e assume o cargo de diretor do Museu de Arte da Moderna da Bahia (MAM/BA), posição que ocupa até 1967. Em 1981 coordena a implantação do curso de especialização em gravura e escultura da Escola de Belas Artes da UFBA. Em 1994, doa várias obras para o Estado da Bahia, que passam a compor o acervo do Espaço Cravo, localizado no Parque Metropolitano de Pituaçu, em Salvador.